quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

E, só por hoje, o resto é o resto


Por Juliana Ramiro

Sempre fui uma aluna problema, não por ter notas ruins ou por ser malvada, brigona, mas por ser inquieta e questionadora. Fazer com que eu passasse a tarde inteira pintando um elefante nunca foi tarefa fácil. Sempre dava um jeito de dar o meu toque artístico e terminar a indigesta atividade em 5 minutos, afinal, mesmo quando se é criança, a vida segue sendo curta.

Essas são as minhas palavras de ordem - a vida é curta para perder tempo. Isso incomoda, tanto a mim como aqueles que convivem comigo e não caminham com a mesma agilidade. Hoje sou uma pessoa problema.

Uma pessoa problema do tipo que se destaca. Sou leonina, valorizo meu ego e cuido da minha juba desalinhada, mas não é daqui que vem o reconhecimento verdadeiro, sei disso. Ganho destaque por ser uma eterna inconformada. Sou a algoz do meu próprio descanso e sempre acho que cabe um pouco mais de conhecimento e trabalho. A eterna busca por "sei lá bem o que" amplia minha inimizade com a balança e as vezes que preciso visitar médicos variados.

"A dor e a delícia de ser o que é" é, sem dúvida, uma frase pronta que explica muito coisa e faz todo sentido pra mim. Hoje, ao atualizar meu perfil no Linkedin, veio-me na boca um gosto delicioso de ser quem eu sou.

E, só por hoje, o resto é o resto. Obrigada diretora Ângela Guimarães por me servir esta doce sobremesa.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A curta história do amor que transbordou

Por Juliana Ramiro

O dia não era belo, mas me trouxe tantas coisas belas que passou a ser. Assim, um belo dia passei a ter um par de grandes olhos, de um preto-branco vivo, olhando para dentro de mim. Não eram meus, mas acabaram como. Também já não eram mais teus, mas não brigamos por posse.

Brigamos por muitas outras coisas, que apontavam para uma mesma - caber. E a gente foi se 'cabendo' até não caber mais. E tudo que não cabe transborda e transbordou.

E hoje a gente vive transbordando desse 'nosso jeito nosso' de sentir amor.


                  "Você me achava meio esquisita
                        E eu te achava tão chata"

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Feliz Aniversário!


Exatamente hoje não, mas por convenção, neste mesmo dia, há dois anos, veio ao mundo uma das minhas maiores paixões. A bonequinha cabeluda, que a “tiarada velha" esperava para ver quem segurava primeiro, no colo de quem ela ficava mais tempo e todas essas coisas de família simples que faz tempo que as crianças cresceram, havia nascido.

Já fui muito menos sensível que hoje, e naquela época era dura na queda, não era qualquer coisa que me fazia chorar. Porém, olhar-te, aquele bebe pelado, branquelo, tentando abrir os olhos e pensar que eu, além de irmã, era tua dinda, fez-me chorar. Aquele momento ficou nas minhas memórias como a cena mais linda que meus olhos presenciaram.

E naquele momento chorei pela beleza do instante e por me sentir um pouco responsável por ti, por imaginar quantas "crueldades" acabarias por descobrir quando ficasse maior, quantas alegrias terias e quantas desilusões também.

Lá, na maternidade mesmo, jurei para mim que nunca te mentiria, mesmo quando viessem as perguntas que todo adulto não sabe o que responder. Hoje, um pouco afastada pela minha falta de tempo e a distância entre as cidades que moramos, não consigo acompanhar de perto o teu crescimento, no entanto, o sentimento não se faz menor, nem ele, nem o meu "sentir-me responsável".

Hoje, tens dois aninhos, e já sabes que existem coisas boas e coisas "uuuimmm". E pra mim, o que é realmente "uuuimmm" é não estar tão perto para acompanhar tuas descobertas. Sorte que a tecnologia nos aproxima, e, pelas fotos de um e de outro, vejo o quão rápido o bebê vai virando mocinha, e de mocinha mulher....

E meu texto, que era um cartão de aniversário, virou pedido de desculpa, que talvez leias um dia, e talvez entendas o meu amor e a minha pressa. Mesmo de longe, tua mana-dinda acompanha teus passos e admira teu jeito leve, doce e sábio de levar a vida. E está aqui, sempre aqui, por perto, para te ajudar a entender cada detalhe de cada coisa do mundo.



Feliz aniversário!

Juliana Ramiro

quinta-feira, 2 de maio de 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Nada



Por Juliana Ramiro


Juntei minhas coisas e fui embora
A mala vazia
Não existe nada que não seja nosso

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Onde está o amor?


Por Juliana Ramiro

O amor está no gesto de dar as mãos
O amor está no abraço
Está no sorriso
No andar lado a lado


O amor está num domingo em família
E num dia de trabalho
Está no diferente
E no respeito ao diferente


O amor está no vento
E num dia de sol
Está na chuva
E num banho de mar


O amor está na intimidade
E no brilho dos olhos
Está no blues
E na poesia


O amor está no teatro
Está na diversão
Está no desenho


O amor está aqui
Está no mundo
O amor está onde deixamos que esteja



sábado, 20 de abril de 2013

O poeta, o sapo e o prato do dia



O Centro - na região da Demétrio, da Fernando Machado e da Borges de Medeiros é o MELHOR lugar para se viver em Porto Alegre. Aqui as pessoas ainda gostam uma das outras, ainda existe bom humor, companheirismo e serviço de qualidade com preço justo. Hoje, tive mais algumas provas disso. Perdi minha chave e o chaveiro foi muito atencioso, deixou a banquinha e foi ajudar na mesma hora. Não tive que agendar visita, e ele ainda deixou que pagasse depois, coisa de cidade do interior - "passa lá na banca e acerta". Quando passei para acertar, vi três livros escorados no vidro da banca, eles eram do mesmo autor - Edison da Silva Boeira. Gostei tanto do atendimento ali, que pedi um cartão para ligar quando necessário e recomendar o serviço. Tive uma surpresa. O nome impresso no cartão era o mesmo do autor do livro e, na hora de ir embora, o chaveiro-escritor me disse: Vi que estavas olhando meu livro, leva esse para ver se te agrada. Ganhei o livro e o resto do dia.

Na sequência, fui almoçar no Rei da Picanha, lugar simples, que picanha mesmo quase não tem, mas PASMEM, o garçom usou um paninho branco - realmente branco - para limpar a mesa, com um produto que deixou o ambiente cheiroso. Depois ainda me trouxe a melhor farofa do mundo. Comida perfeita e, entre duas pessoas, deu menos de 10 reais para cada.

Antes de tudo isso acontecer, o zelador do meu prédio, às 8h da manhã, foi até a casa dele procurar uma chave reserva do meu apartamento, depois seguiu me ajudando nessa busca e, umas 10h, quando nos encontramos pela rua, atencioso, perguntou se eu tinha encontrado. O zelador é o mesmo que vem aqui, arruma tudo que precisa de elétrica, hidráulica, pintura e, quando pergunto o preço ele me diz: Ah, me dá só um trocado.

Lugares e pessoas como as que vivem e trabalho nesta região do Centro de Porto Alegre merecem inúmeros trocados por valorizarem o lado humano das relações.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

De cara nova: Rádio Falando de Amor muda site e sua marca para 2013



A Rádio Falando de Amor surgiu de um sonho que rapidamente se tornou uma linda realidade. Tendo sua primeira transmissão em julho de 2012, o projeto, nestes oito meses de vida, foi ganhando membros, parceiros, ouvintes e hoje, o que era uma iniciativa pessoal se consolida como projeto cultural, com mais de 15 locutores, 24h de programação, parceiros importantes e cada vez mais ouvintes apaixonados pela RFA.

Digo que sou a diretora deste projeto, mas, na verdade, não me sinto assim. Para mim, é como se fosse a capitã de um time repleto de estrelas que, dentro das suas áreas de interesse, trazem, de um jeito diferente e inovador, mais cultura para a população de Porto Alegre e onde a internet permite chegar.

Mudar é preciso!

A migração do nosso site para uma plataforma mais ampla e seu novo visual vem de algo que para mim é como lema: Mudar é preciso! Nada é bom o bastante que não possa ficar melhor. Ao longo dos meses em que a rádio está no ar, buscamos ouvir as pessoas, entender o que tínhamos de bom e onde poderíamos melhor. O site e a nova identidade visual surgiram da compilação de tudo que apuramos, formal e informamente, com aqueles que, de alguma forma, fazem parte do projeto. Solucionamos velhos problemas, provavelmente criamos outros (risos) e novas possibilidades de conteúdo.

Para 2013, fica o compromisso de ser e fazer ainda melhor. A Rádio Falando de Amor, carinhosamente apelidada pelos seus ouvintes de RFA, tem sonhos ambiciosos. Fica, também, meu agradecimento a todos que caminharam, caminham e ainda caminharão ao nosso lado. Agradeço, de forma especial, a Cris Jagmin, da StudioDess, que foi nossa parceira no desenvolvimento deste site, a Dani Lima, da iNove Comunicação e Marketing, por todas as figurinhas trocadas, a Deb Xavier, do Jogo de Damas, pelas oportunidades e conselhos, a Lívia Lampert, da Agência Linea Comunicação, pela paciências e apoio, a Fabíola Dambrós, da Aika Sul, pela assessoria e carinho, e a Natalia Almeida, pela organização e os braços que me faltam neste projeto.


Texto publicado no lançamento do novo site e identidade visual da Rádio Falando de Amor. Conheça o projeto clicando aqui.

Juliana Ramiro
Capitã do time da RFA

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Perdi a inscrição para o meu primeiro concurso público

  



Por Juliana Ramiro

Título nada criativo, eu sei. E a verdade é que nem eu leria com vontade nada que tivesse concurso público e inscrição no título. Palavrinhas que não me enchem os olhos. No entanto, se você chegou até aqui, dê-me a chance de mudar sua impressão sobre o que virá a seguir.

Tenho aversão a concurso público. E não, não sou uma pessoa frustrada por não ter passado – nunca me inscrevi. (Já surpreendi?) Também não tenho amigos que perderam a vida estudando para o grande concurso... e nada. Meus amigos que curtem essa brincadeira, todos eles, já estão empregados.

Tenho aversão a concurso público, assim como tenho dificuldade de lidar com oito horas diárias, bater ponto, crachá, cabelo com gel, óculos sem armação, terno e gravata para vender seguro de vida.

Não sou da anarquia. Sou do tipo que prefere trabalhar a noite, mas que chega sempre no horário, nunca atrasei um ponto. Trabalhar com roupa leve facilita a minha boa vontade, fecha o cerco da má, e me dá muita vontade para encarar 8, 12, 24h de trabalho para realmente entregar um bom trabalho. Porém, se manda o figurino, eu sigo. Mesmo sendo contrária a tantas convenções profissionais, que dizem muito para os de fora, e pouco para o próprio trabalho, entro no sistema e me adapto facilmente.

Mas o que gosto mesmo é encher a boca dizendo que trabalho demais, que ando sempre com pressa, que me falta tempo, que não tenho os equipamentos necessários, que vivo numa loucura. Isso tudo me faz avançar, querer mais, querer me superar.

Quem não gostaria da estabilidade de um concurso público? Claro que gostaria, contudo, isso significaria para mim estabilidade financeira e instabilidade criativa. Depressão criativa, para ser mais sincera. As coisas mais “likeadas” que criei foram as que construí aos 45 min do segundo tempo, quando todos duvidavam, porém, já se preparavam para aplaudir.

Do outro lado da realização profissional estão os relatos que ouço dos aprovados em concursos públicos. A história é animadora - do período de estudos ao listão do resultado. E só. Do trabalho mesmo, nunca ouvi relato que não acabassem em inúmeras expectativas indo pelo ralo.

Perdi a inscrição para o meu primeiro concurso público. Que bom. Sinceramente, não me sinto preparada para abdicar da paixão que tenha pela minha profissão, e encarar tarefas públicas e administrativas.

Eu não nasci para isso.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Desabafo em mais um dia de chuva em Porto Alegre

Av. Nilópolis, por Samuel Almeida - Imagem divulgada na fanpage oficial da Rádio Gaúcha

MATÉRIA:

DESABAFO:
O problema não são as vias, nem a falta de estrutura, são as pessoas. Afinal, elas se vitimam quando se arriscam saindo de casa, segundo diretor-presidente da EPTC. De acordo com Juliana Ramiro, nas urnas, essas mesmas pessoas vitimam seus conterrâneos, trocando votos pela SUA rua asfaltada. Desejo, profundamente, que o egoismo tão bem asfaltado dessa gente, um dia, não ponha mais em risco as estruturas da cidade de Porto Alegre, e que possamos ter obras eficientes, que beneficiem a todos. Chega de operação TAPA BURACO. #CAOSEMPOA

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O desafio maior é admitir-se falho e manter o brilho no olho



Por Juliana Ramiro


Para mim, empresas nascem de sonhos. E nossos sonhos se tornam reais quando realmente conseguimos amá-los. A Rádio Falando de Amor nasceu assim. Sou jornalista por profissão e sonhadora por escolha de vida. E que me perdoem os mais técnicos, mas tem um momento decisivo que toda empresa passa, quando está no meio da estrada, e a nossa decisão a conduzirá para o sucesso ou fracasso. Essa escolha tem a ver com o amor. Realmente estamos dispostos a nos dedicar a esse sonho? Somos capazes de superar os dias mais críticos e seguir plantando para colher adiante? Óbvio que não devemos abdicar da racionalidade, mas, o determinante na minha decisão foi o quão apaixonada estava pelo meu projeto.

Fiz essa escolha logo nos primeiros meses do projeto - e acredito que, vez que outra, terei que repetir a dose. O volume de trabalho é grande, o retorno é pequeno e temos que lidar com a sensação de que quanto mais a gente faz, mais terá a ser feito. Um ciclo interminável e vicioso de trabalho, exaustivo e apaixonante. Se meu sentimental não tivesse mergulhado comigo nessa, não teria as próximas linhas deste texto.

O primeiro passo para tirar um empresa do campo das ideias e fazer dela um negócio é admitir que não sabemos tudo, que não vamos dar conta e que, sim, precisamos de ajuda. Para mim esse foi o passo mais difícil. Olhar para dentro e admitir meus pontos fracos e captar pessoas para suprir tais necessidades. É melhor dividir e ganhar do que perder sozinho.

O segundo passo é saber a hora certa de entrar no jogo. Planejamento é fundamental. Isso aprendi “tomando na cabeça”, como dizem os surfistas. Montei a rádio, vi fornecedores, estruturei o site e fiz a primeira transmissão em uma semana. Os dois meses seguintes foram de pura loucura, planejar algo depois de lançado é muito mais penoso. E, se tratando de uma rádio, os erros ficam escancarados para quem estiver ouvindo. São problemas técnicos, de software, hardware e de pura falta de planejamento. Deixei escapar clientes por, simplesmente, não ter pensado em valores, estratégias e definições técnicas. Gastei mais do que precisava, por mudar três vezes de fornecedor, até chegar à transmissão que estivesse de acordo com as necessidades do meu negócio. Precisei organizar processos, recebimento de materiais, criar parcerias, montar redes para o negócio, movimentar os canais de comunicação com os ouvintes, tornar o produto atraente e, tudo isso, com a rádio funcionando, 24h no ar. Nem cartões de visita eu tinha e a Rádio já estava com 100 acessos diários. Noites sem dormir, surtando sozinha, até que sentei com minha sócia (aqui já tinha admitido que precisava de uma) e coloquei tudo no papel. Uma sócia com perfil diferente do nosso ajuda mais do que alguém que seja nossa cópia, acreditem.

E aqui identifiquei o terceiro passo. O papel. Eu não tinha registro de nada. Até hoje não entendo como as pessoas abraçaram a rádio comigo e como os primeiros locutores não perceberam a furada que estavam se metendo. Era tudo de boca. Enquanto éramos três bocas, eu conseguia organizar, quando chegamos a cinco, senti-me obrigada a ouvir minha sócia e fazer apresentações formais da rádio, contratos de anunciantes, guia de processos para os locutores, manuais dos programas de edição. Isso facilitou o trabalho e hoje, com mais de 15 locutores e o time crescendo a cada dia, tenho certeza de que o papel salvou a minha vida e do projeto.

O quarto passo é não prostituir o trabalho – ou prostituí-lo para as pessoas certas. Parceiros são ótimos, mas é decisivo que a parceria seja fundamentada na troca. Se você ganha com um parceiro, ele tem que ganhar com você – e a recíproca deve ser verdadeira. Essas são as parcerias mais saudáveis e que rendem os melhores frutos. Entenda o que seu parceiro precisa e não tenha medo de pedir o que realmente é importante. As parcerias de que falo devem ser feitas, também, com seus clientes, aquelas pessoas que você conversa, que dão dicas, que trocam ideias, os grupos de “estudo e apoio” – e aqui entra, de forma muito especial, o Jogo de Damas. Todos são parceiros fundamentais.

O último passo é não perder a paixão que fez você apertar o “play” de tudo isso. Sem ela o caminho fica mais cinza, mais difícil e menos prazeroso. Aceite sua empresa como um filho, mas não seja uma mãe coruja, incapaz de ver os pontos fracos deste filho. Uma mãe realista, que não deixa faltar amor, colabora muito mais no crescimento do piá. Ah, e tenha certeza de que seu brilho no olho convence as pessoas de que estão diante de algo verdadeiramente interessante. Não esqueça disso no caminho!

Hoje, a Rádio Falando de Amor, está com cinco meses de vida, mais de 300 acessos por dia, 15 programas selecionados “a dedo”, locutores-parceiros, ouvintes-parceiros, anunciantes-parceiros e parceiros-parceiros, que fazem todo esforço valer a pena.

PS. Espero que meus erros e acertos possam ajudam empreendedoras que estejam começando, possam provocar saudade naquelas que hoje já consolidaram seus negócios e trazer esperança àquelas que abandonaram seus sonhos.


“Amar não é brega, não é ‘mimimi’, amar é vital” (trecho da apresentação da RFA)



* Texto escrito para o blog do Jogo de Damas - comunidade crescente de mulheres empreendedoras que amam os desafios do dia a dia e que querem fazer a diferença.




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eu quisera (uma adaptação)



Por Juliana Ramiro



Eu quisera entender teus códigos
E reconhecer teus limites

Eu quisera não precisar das tuas palavras
E, por vezes, saber não ouvi-las

Quisera receber-te de forma incondicional
E saber me respeitar um pouco menos

Eu quisera trair a mim
E proteger o que é nosso

Eu quisera que tivéssemos nascido um
Ou que não morrêssemos por ser dois

Eu quisera pensar no teu melhor
E que conhecesses o meu

Eu quisera padronizar minhas emoções
E me entregar de jeito óbvio

Eu quisera peneirar meus sentimentos
E transbordar só o que te agrada

Eu quisera não ser eu
E quisera não te ver partir



“O inverno vai passar, e apaga a cicatriz”




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Marque um “x” e garanta já o seu diploma


Por Juliana Ramiro

Aula de teorias da comunicação. Professor chega, faz cara de sacana, a chamada, põe o saco de provas junto ao peito, vai para frente do antigo quadro negro, hoje atualizado para branco, e espera o fim do alvoroço para passar as últimas informações antes de eu sentir minha formação entrando pelo cano.

Palavras dele: prova objetiva, são cinco questões, cuidem os “pega ratões”, não olhem para os lados, não colem, a prova é rápida, porém vocês não podem terminar e sair, esperem meu sinal. Só não levantei e fui embora porque olhei para os lados e vi que meus colegas jornalistas pareciam conformados com aquilo que, para mim, era mais que um absurdo. Fiquem com a maioria, fazendo meu próprio advogado do diabo.

Para que serve uma teoria? Para que serve uma prova objetiva com “pega ratões”? Afinal, para a avaliação de um professor universitário o que interessa mais é o quanto eu não sei de um conteúdo? Ou, ainda, o quanto consigo decorar e estar tranquila no momento da prova para não cair num obstáculo pouco teórico?

O conteúdo da prova, em folhas de xerox, chegou a mais de 200 página. Tratando-se de teorias, umas cinco. Considerando-se a aplicação desse conteúdo, igual a zero. Do que me adianta decorar uma teoria sem ter um acompanhamento na sua aplicação? Esse é o tipo de coisa que a gente não aprende lá fora, no mercado. Jornalista que não se tornar pesquisador vai morrer sem fazer a aplicação de uma teoria, ou, no mínimo, aprender no período da monografia o que não viu na formação inteira. Para mim, está tudo errado.

O valor de aprender uma teoria está no quanto a gente consegue aplica-la, não?! Simplesmente falar sobre teorias tem algum valor curricular? Teoria boa é teoria citada. E aqui uso aspas de mim mesma, pois acredito que minha forma de ver o ensino é, no mínimo, mais adequada que a utilizada nesta disciplina. “Professor preguiçoso, profissional pobre” (isso daria um título de livro), lamenta Ramiro (2012), que está no último ano da faculdade de jornalismo e não esperava ter esta última decepção pré-formatura.

Ei, Famecos, avancemos no processo de educação como na evolução do quadro negro. Superemos o negro, avancemos o verde, cheguemos ao branco, ensinemos a pensar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A gente só sabe a importância de um mecânico quando perde um amigo




Por Juliana Ramiro


A Max Motos, sem o Max, fica literalmente só motos. Essa foi a sensação que tive ao entrar na oficina onde levei minha primeira moto, há anos e, mesmo me mudando três vezes de endereço, e trocando algumas vezes de moto, lá sempre foi a minha oficina. Não sou uma consumidora fiel, seguidora de marcas, sou uma apaixonada por pessoas.

O Max me ganhou logo na primeira visita. Meu mecânico era prepotente, mas aquele tipo de pessoa que pode ser, por simplesmente ser. Nunca saí de lá sem respostas, sem broncas e sem rir muito do jeito dele, do meu e das soluções imediatas para tudo. Eu era uma curiosa com o cara mais disposto a ensinar que já conheci. Colocava minha moto no “elevador” e me apontava tudo, cada coisinha. Na cabeça dele, eu precisava entender tudo, para saber como me comportar em caso de alguma emergência.

Ele era como eu, adorava problemas pela oportunidade de encontrar a solução e ganhar uma salva de palmas. E quanto isso custava? O justo. O resto, o show todo, ele fazia com gosto. Dava pra ver nos seus olhos o amor que tinha pelas motos, pelo trabalho. Vivia ali e, mesmo sendo o chefe, estava sempre sujo de graxa e fazia questão de mexer na minha moto. Eu o via como o oráculo da oficina. Não sabe? Pergunta para o Max. E trate de manter as ferramentas no lugar, ele odeia bagunça.

Como um pai, ficou “p” da vida quando teve que me buscar em Canoas, com a correia da moto trancada na roda no meio da BR. Não me cobrou nada, mas veio o caminho inteiro e o tempo que colocava a correia no lugar me dando bronca porque eu não tinha lubrificado a correia, porque não estava fazendo a manutenção direito, por tudo que podia ter acontecido. Quase uma hora de bronca, moto pronta, em posição de partida, Max me entrega o capacete, a chave e, como de costume, diz: dá-lhe pau!

Quando finalmente decidi trocar minha primeira moto, comprada sem a supervisão do Max, ele foi o primeiro a querer ajudar, fez uns três telefonemas, ajudou a escolher, trouxe a moto nova, o financiamento, vendeu a minha lata, como dizia, e cuidou de todas as revisões.

Quando vendi fiquei um ano sem moto, sem aparecer na oficina, sem o Max. Comprei meu brinquedo mais recente e a primeira revisão fiz questão que fosse com ele. E ele estava lá, no mesmo lugar, lembrava meu nome e me entregou a moto impecável, como sempre. Lembro que quando deixei lá ele tinha dado uma saída, porém, quando voltei para buscar ele que me entregou e fez questão de me dar mais uma bronca. A pastilha do freio estava quase no ferro. Max me disse: “Mandei trocar, vai dar uns 60 reais a mais. Paga que é para tua segurança, não ia te deixar sair daqui com o freio naquele estado”. Paguei, levei a moto, e saí de lá com o coração apertado.

Max não tinha mais a mesma vitalidade, estava magro, caminhando com dificuldade. O brilho no olho era o mesmo, mas o brilho da vida não mais. Hoje, fui trocar o óleo e tive a resposta que não queria, a uma pergunta que demorei quase todo o tempo que tive por lá para fazer.

Busquei o óleo e não tinha ninguém para me indicar qual era o melhor e mais em conta. Quis trocar a viseira do meu capacete e não tive ninguém para dar um pitaco no modelo, cor, investimento. Onde estava o Max? O Max não está mais aqui, faz dois meses. O tempo quase que exato da última vez que apareci por lá. Nosso último encontro foi uma despedida. E vendo a Max Motos, sem seu personagem mais ilustre, o Max, pude entender a importância de um mecânico, do meu mecânico. Perdi um amigo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta para um, que cabe no bolso de todos



Por Juliana Ramiro

O meu imediatismo agrada, ou ao menos o contrário te irritava nas outras pessoas, que até hoje sonham com um dia, quem sabe, fazer alguma coisa da vida. Tens medo de arriscar, pois não se permite errar e, por isso, sempre optou por pessoas que tivesse nas mãos, fazendo algo pra isso ou não.

Agora o brinquedo é diferente, merece uma dedicação maior. A insegurança que deveria te deixar alerta, deixa-te acanhada. Afinal, não foi alguém com iniciativa que tanto quis para tua vida? Isso tem um preço. Tudo tem um preço.

Entendo que não saibas lidar comigo, com essa insegurança. Hoje te amo, no dia seguinte vou seguir amando, porém, tenho uma única vida para ser feliz e milhares de possibilidades de caminhos para buscar isso. Para que, afinal, ficar meio feliz esperando dias melhores? Já viveste a morte tão de perto e ainda não consegues compreender o imediatismo da vida.

Comigo não é acomodação, meio isso, meio aquilo, comigo é felicidade plena - pra nós. Sei que existirão dias ruins, dias bons, e frente a isso, no mínimo, espero que driblemos as dificuldades de forma maestral, num verdadeiro espetáculo.

Sim, como tu sempre dizes, eu gosto de palco, de ser observada, recordada, aplaudida... e não me conformo em viver na plateia da tua vida.


É esse, realmente, o espaço que mereço ou tens medo de me dar mais?

sábado, 27 de outubro de 2012

De Pai para Filho



Por Juliana Ramiro


Dos mais insensíveis aos mais sentimentais, todos, de alguma forma, emocionam-se assistindo “Gonzaga, de Pai para Filho”. O filme não tem grandes sacadas de roteiro, fotografia, figurino, efeitos especiais, nem todos os palavrões comuns nas obras do cinema nacional. O roteiro nos prende pela própria história, por algo que temos ou já tivemos um dia: um pai.

Não sei bem o porquê, mas as relações de pai e filho são sempre as mais conturbadas. A mãe parece que aprende a nos conhecer e a lidar com a gente enquanto ainda nos alimenta dentro da sua barriga. Enquanto isso, os pais penam para construir um laço afetivo, correr atrás do tempo perdido, do tempo que fomos somente de nossas mães e não deles.

Existem pais que são praticamente mães. Contudo, eles são exceção, não a regra. Desconfio que por não conviver conosco desde a barriga, por não ser o grande responsável pela nossa vida, por não ter sofrido para que nascêssemos, o pai se sente tão perdido quanto nós, que temos que conviver com aquele cara que nos é estranho e amá-lo, de um jeito ou de outro.

O pai, historicamente, dentro de uma família, é o responsável por administrar os bens, nos manter financeiramente e pensar no nosso futuro. E os pais de outrora certamente eram mais distantes de suas crias do que hoje.

Posso dizer que tive, e tenho, um pai e uma mãe presentes. Com a mãe aquela relação umbilical. Ela me conhece e, mesmo nos momentos mais difíceis, sabe entender e dar uma palavra de apoio. Com o pai uma relação um pouco mais dura, marcada por cobranças de um e de outro.

A grama do vizinho é sempre mais verde do que a nossa, principalmente quando se é adolescente e o excesso de limites vai alimentando a nossa rebeldia. Sou muito parecida com meu pai em algumas coisas e, muito do que me tornei, foi por que estive focada em mostrar para ele que, mesmo não seguindo o caminho que sonhou para mim, seria feliz e capaz de ser alguém que merecesse seu orgulho.

Meu pai, como o pai de Gonzaguinha, e tantos outros por aí, sonhou outras coisas para mim e, ao mesmo tempo em que cobra atitudes adultas, tem dificuldade de ver que cresci. Ele sempre foi duro, correto e me fez dar muito valor a coisas que hoje agradeço. Tive uma boa educação, sei dar valor ao dinheiro, a família e tenho uma lista de outras coisas que não quero repetir com meus filhos.

No fundo, acho que pela falta de algo que realmente tenha ligado nossos corpos, nunca vou entender plenamente meu pai, nem ele a mim. E o mais engraçado de tudo isso, é que embora sejamos sempre um pouco estranhos um ao outro, somos parecidos, principalmente na dureza e na falta de jeito de admitir nosso amor.


“Pai
Me perdoa essa insegurança
É que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos seus braços você fez segredo
Nos seus passos você foi mais

Você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você, nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz"


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A tranquilidade sentimental gera agitação profissional



Por Juliana Ramiro

Antes de mais nada digo: ISSO É BOM. Não quero que pensem que meu texto é um desabafo de infelicidade, de nostalgia dos meus tempos sentimentalmente perturbadores e perturbados. Estou feliz. Estou leve. Estou em paz. Vivo a maturidade no amor e a adolescência profissional.

Não é que tenha deixado o amor de lado, nem que tenha regredido no trabalho. O amor tem um ar de naturalidade, os acontecimentos e a leveza dos gestos não me dão preocupação; e no trabalho estou arriscando, criando, sonhando como nunca. No amor estou no ninho, em pleno pouso, deixando as asas disponíveis para conhecer novos campos, experimentar novos tempos, cursar por caminhos sem tempo, ser um pouco mais jornalista, um pouco mais web, um pouco mais áudio, um pouco mais gráfica, um pouco mais foto, um pouco mais empreendedora, um pouco mais profissional, um todo mais eu.

Na vida sem tempo sobram sonhos e passos. No amor sobra certeza. E eu, que sempre fui avessa ao ninho, à tranquilidade, aprendi que na vida, estar em movimento é importante, contudo, num dia de chuva, como hoje, o que conta mesmo é ter um apaixonante abrigo para estar.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Não sabia que a vida me traria o que jamais me deu...

Por Juliana Ramiro

Vontade de viver mais, viver tudo, viver cada instante como se fosse o primeiro. Deixei de gostar do desespero do último momento e, hoje, aprecio, a suavidade de um primeiro beijo, do nosso primeiro beijo.

Sempre achei que confortável era adjetivo de sofá e não de relacionamento. Hoje, sinto-me feliz e confortável nos teus braços. Tenho mudado. E essas mudanças não são fruto dos dias que passam pra mim, e sim dos dias que passamos.

Discordar e não fazer disso uma briga. Brigar e terminar a briga falando do quanto se ama e da saudade que se tem. Isso também é novo.

Estou diferente, todos percebem, e me olho no espelho e não mais, como sempre foi, lamento pelo que por ti me tornei. Só consigo agradecer por estar diferente e me sentir bem assim.

Eu, que sempre fui tão avessa a rotinas, adoro a rotina de te ter na minha vida, de passar o dia com a certeza de que em algum momento vou ter o teu sorriso. Gosto da água do lado da cama. Gosto das inúmeras conversas antes de dormir. Gosto da velinha do celular iluminando um pouco mais os teus olhos. Gosto da simplicidade de cada momento. Gosto de ler poesias antes de dormir. Gosto de viver numa eterna poesia contigo.


“Ah se eu pudesse descobrir de onde vem o seu poder
Onde mora o seu mistério, o seu remédio
Prescrito pra me absorver do mundo que ficou pr
a trás
Eu nunca fui amada assim
Perto de você me sinto "clean", me vejo enamorada
O teu carinho o teu cuidar, teu jeito de me reparar
Mesmo que eu esteja nada”



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

DING-DONG: A CIDADE CHAMA



Os textos deste blog costumam ser autorais e falar de amor. Desta vez, a autora não sou eu, contudo, o amor está presente. O amor pela cultura. É um manifesto. Um lindo texto de Clarisse Muller.


Dizem que Érico Veríssimo, quando indagado sobre a cidade em que vivia, respondia com orgulho: sou de uma cidade que tem uma orquestra sinfônica. Já eu, Clarice Müller, nascida e criada nessa mesma cidade, respondo, com vergonha: sou de uma cidade que acolhe com festa um shopping, mas rejeita que sua sinfônica ali se instale; sou de uma cidade que por décadas aguarda a finalização de um teatro dedicado à sua maior cantora; sou de uma cidade que acabou, sem pestanejar, com o carnaval de rua, e jogou o que resta para os confins mais inabitados; sou de uma cidade que canta as façanhas do passado, mas desdenha a arte do presente; sou de uma cidade que impõe toque de recolher a seus habitantes. Sim, agora diversão e arte cumprem expediente de escritório. Agora a ordem é cineminha e cama, comida em casa, que na saída tá tudo fechado. Como a cabeça de quem nos governa. Fechar bares, isolar torcidas, logo, logo, cercar parques, isso lá é jeito de se administrar uma cidade??? Porém, como sociedade se faz fazendo, se os comerciantes, empregados, clientes, artistas, tutti la gente se juntarem, dá pra dar um basta nessa idiotice. Impor respeito, sabe como é? Não aceitar a muquiranagem como destino histórico, o sono como ideal de vida, o tédio como meio, a mediocridade como fim. Cidade-dormitório? Vão se catar! É preciso pensar e agir grande, transformar Porto Alegre num pólo irradiador de cultura, com o diferencial que um Village, uma Lapa trazem em prol da felicidade geral da nação, na falta de neve e chocolate amargo, claro. Não dá é pra dormir no ponto. Achar que, com o tempo, tudo se ajeita, se resolve. Ahã. Foi com toque de recolher que acabaram com o Bomfim, que só agora, mais de duas décadas passadas, lentamente ressurge. Quer ver esse filme de novo? É só cruzar os braços. Falando claro: estou incomodada, mas não vou me mudar, eu proponho é mudar. Junto contigo. Topa? Então compartilhemos, pois.

PS: NAO SOU CANDIDATA A NADA.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O melhor do amor é o roxo que fica

Por Juliana Ramiro

Sempre achei que o melhor do amor fosse a soma dos momentos felizes e das sensações dignas de serem relembradas e eternizadas numa publicação. Ah! O amor. Como ele me surpreende, rende, por vezes até ofende. Quanto mais quero pensar na complexidade de suas entranhas, mas ele me ataca com a simplicidade da própria pele.

Espanto-me. O amor não está dentro. Ele anda por fora. Ele nasce em casa e a gente o vive na rua. Ele floresce durante a noite, contudo, vive sob a luz do dia, dos dias, das horas, do tempo.

Por certo, o amor não está na flor, no amor perfeito, na maçã do amor, nos doces bem casados. O amor está no amargo, no lado amargo, oposto e sempre contrário.

Contraditório. O amor não está na união. O amor está no ódio. No mais azedo do ódio. Na parte mais dilacerada de um desenlace. Na linha que divide e, ao mesmo tempo, separa as coisas de certas coisas, as frases de certas frases, os amores do certo amor.

O amor está além da paz, além das alegrias. O amor se faz presente quando estamos para morrer de ódio e acabamos vivos de amor. Quando somos tomados pelo maior de todos os ressentimentos, que dura, aproximadamente, menos de um milésimo de segundo. E está lá ele, o amor, aquele certo amor, mais uma vez, socando a nossa cara, deixando nela um leve roxo nas bochechas e um hematoma maior em forma de sorriso.



"Se isso não é amor, o que mais pode ser? Estou aprendendo também." J.Q.