quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Não sabia que a vida me traria o que jamais me deu...

Por Juliana Ramiro

Vontade de viver mais, viver tudo, viver cada instante como se fosse o primeiro. Deixei de gostar do desespero do último momento e, hoje, aprecio, a suavidade de um primeiro beijo, do nosso primeiro beijo.

Sempre achei que confortável era adjetivo de sofá e não de relacionamento. Hoje, sinto-me feliz e confortável nos teus braços. Tenho mudado. E essas mudanças não são fruto dos dias que passam pra mim, e sim dos dias que passamos.

Discordar e não fazer disso uma briga. Brigar e terminar a briga falando do quanto se ama e da saudade que se tem. Isso também é novo.

Estou diferente, todos percebem, e me olho no espelho e não mais, como sempre foi, lamento pelo que por ti me tornei. Só consigo agradecer por estar diferente e me sentir bem assim.

Eu, que sempre fui tão avessa a rotinas, adoro a rotina de te ter na minha vida, de passar o dia com a certeza de que em algum momento vou ter o teu sorriso. Gosto da água do lado da cama. Gosto das inúmeras conversas antes de dormir. Gosto da velinha do celular iluminando um pouco mais os teus olhos. Gosto da simplicidade de cada momento. Gosto de ler poesias antes de dormir. Gosto de viver numa eterna poesia contigo.


“Ah se eu pudesse descobrir de onde vem o seu poder
Onde mora o seu mistério, o seu remédio
Prescrito pra me absorver do mundo que ficou pr
a trás
Eu nunca fui amada assim
Perto de você me sinto "clean", me vejo enamorada
O teu carinho o teu cuidar, teu jeito de me reparar
Mesmo que eu esteja nada”



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

DING-DONG: A CIDADE CHAMA



Os textos deste blog costumam ser autorais e falar de amor. Desta vez, a autora não sou eu, contudo, o amor está presente. O amor pela cultura. É um manifesto. Um lindo texto de Clarisse Muller.


Dizem que Érico Veríssimo, quando indagado sobre a cidade em que vivia, respondia com orgulho: sou de uma cidade que tem uma orquestra sinfônica. Já eu, Clarice Müller, nascida e criada nessa mesma cidade, respondo, com vergonha: sou de uma cidade que acolhe com festa um shopping, mas rejeita que sua sinfônica ali se instale; sou de uma cidade que por décadas aguarda a finalização de um teatro dedicado à sua maior cantora; sou de uma cidade que acabou, sem pestanejar, com o carnaval de rua, e jogou o que resta para os confins mais inabitados; sou de uma cidade que canta as façanhas do passado, mas desdenha a arte do presente; sou de uma cidade que impõe toque de recolher a seus habitantes. Sim, agora diversão e arte cumprem expediente de escritório. Agora a ordem é cineminha e cama, comida em casa, que na saída tá tudo fechado. Como a cabeça de quem nos governa. Fechar bares, isolar torcidas, logo, logo, cercar parques, isso lá é jeito de se administrar uma cidade??? Porém, como sociedade se faz fazendo, se os comerciantes, empregados, clientes, artistas, tutti la gente se juntarem, dá pra dar um basta nessa idiotice. Impor respeito, sabe como é? Não aceitar a muquiranagem como destino histórico, o sono como ideal de vida, o tédio como meio, a mediocridade como fim. Cidade-dormitório? Vão se catar! É preciso pensar e agir grande, transformar Porto Alegre num pólo irradiador de cultura, com o diferencial que um Village, uma Lapa trazem em prol da felicidade geral da nação, na falta de neve e chocolate amargo, claro. Não dá é pra dormir no ponto. Achar que, com o tempo, tudo se ajeita, se resolve. Ahã. Foi com toque de recolher que acabaram com o Bomfim, que só agora, mais de duas décadas passadas, lentamente ressurge. Quer ver esse filme de novo? É só cruzar os braços. Falando claro: estou incomodada, mas não vou me mudar, eu proponho é mudar. Junto contigo. Topa? Então compartilhemos, pois.

PS: NAO SOU CANDIDATA A NADA.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O melhor do amor é o roxo que fica

Por Juliana Ramiro

Sempre achei que o melhor do amor fosse a soma dos momentos felizes e das sensações dignas de serem relembradas e eternizadas numa publicação. Ah! O amor. Como ele me surpreende, rende, por vezes até ofende. Quanto mais quero pensar na complexidade de suas entranhas, mas ele me ataca com a simplicidade da própria pele.

Espanto-me. O amor não está dentro. Ele anda por fora. Ele nasce em casa e a gente o vive na rua. Ele floresce durante a noite, contudo, vive sob a luz do dia, dos dias, das horas, do tempo.

Por certo, o amor não está na flor, no amor perfeito, na maçã do amor, nos doces bem casados. O amor está no amargo, no lado amargo, oposto e sempre contrário.

Contraditório. O amor não está na união. O amor está no ódio. No mais azedo do ódio. Na parte mais dilacerada de um desenlace. Na linha que divide e, ao mesmo tempo, separa as coisas de certas coisas, as frases de certas frases, os amores do certo amor.

O amor está além da paz, além das alegrias. O amor se faz presente quando estamos para morrer de ódio e acabamos vivos de amor. Quando somos tomados pelo maior de todos os ressentimentos, que dura, aproximadamente, menos de um milésimo de segundo. E está lá ele, o amor, aquele certo amor, mais uma vez, socando a nossa cara, deixando nela um leve roxo nas bochechas e um hematoma maior em forma de sorriso.



"Se isso não é amor, o que mais pode ser? Estou aprendendo também." J.Q.




terça-feira, 24 de julho de 2012

Alguém lindamente imperfeito como você





Por Juliana Ramiro

Assisti ao vídeo e foi impossível não lembrar de ti. Nunca fui alguém que admitisse imperfeições nas pessoas e sempre sofri severas críticas por isso. Não sei se estou mais madura ou finalmente encontrei alguém imperfeito, perfeito pra mim.

Amo teu jeito preguiçoso. E a forma como implica comigo. E a dificuldade de aceitar que perde para mim. Amo quando não deixa que te ajude. Quando reclama do meu jeito delicado, e da minha versão mais rude. Amo quando qualquer programa nosso precisa começar com um banho teu. Quando há duas quadras do objetivo final resolve que precisas de um táxi. Amo tua rotina e a cara de desconfiada que fazes quando te tiro dela. Amo quando me contraria só para se fazer mais especial. Amo teu corpo. Amo teus cabelos pela minha casa. Tuas moedas pelo chão. Amo andar pelos lugares apagando as luzes por onde passas. Amo ajeitar a sala e reclamar da tua bagunça. Amo pegar a caixa de ferramentas e destruir alguma coisa contigo. Amo a forma como sempre participas dos meus programas. Amo teu jeito velho e tuas crises adolescentes. Amo quando tuas desculpas são esfarrapas. E quando procura meus lábios para que desista dos meus argumentos. Amo quando reclamas do meu cabelo, e me empresta roupas para sair no frio. Amo quando toda manhã tu veste a mesma jaqueta e sempre desiste de sair com ela. Amo o barulho do secador. Amo o teu “bom dia”. Amo a cinza do cigarro equilibrada entre teus dedos. Amo o jeito que fumas, da respiração mais funda àquela que expele a fumaça. Amo teu jeito friorento. Amo tuas mãos geladas. E tuas idéias furadas. Amo quando resmunga coisas que nem consigo entender. Amo quando bagunça meu cabelo. Amo quando veste listras com xadrez. Amo quando digo que vou embora e tu me deixas com as menores sacolas. Amo ter meu violão na tua casa. Amo nossos duetos. Amo nossas orgias gastronômicas e a tua tosse.

Hoje já não me imagino sem tuas perfeições e imperfeições. Hoje eu daria qualquer coisa para conseguir te manter sempre ao meu lado. Hoje eu dou valor para tuas pequenas imperfeições, que são perfeitas para mim. Hoje eu espero que todos encontrem na vida alguém tão lindamente imperfeito como encontrei.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Todas as cartas de amor são ridículas E DAÍ?




Por Juliana Ramiro

Ela é um parque de diversões. Uma "jovem-senhora" cheia de detalhes, cores, alegrias, medos, pessoas, histórias, muitas histórias. Tenta ser prosa, reta, correta, completa e suficiente em si, sem margem para divagações, mas acaba sendo sempre, para mim, muito mais verso.


Daqueles versos que nunca acabam em si, que cada um leva um pouco consigo, uma interpretação própria. Daquelas poesias que se pode ler todos os dias e que sempre vai se ter algo novo, alguma mensagem. Daqueles versos que sempre te emocionam de um jeito diferente, e diferentemente bom. Ela seria meu livro de cabeceira, durante anos, para não dizer pela vida toda.


Falar dela e não falar da sua agenda é um pecado. Tudo está lá, até o que foge dos planos. Dona da arte de dizer, dizer e não dizer nada e, no estante seguinte, contar uma história numa única frase, ela é felicidade garantida. E garantida porque sabe perceber o outro, sabe agradar, respeitar, pegar no colo, puxar a orelha, dividir o peso, dividir um domingo, uma cama, uma semana, uma vida.


Só posso terminar minha descrição dela, dizendo da minha felicidade de ter alguém assim na minha vida.


Todas as cartas de amor são ridículas E DAÍ?



terça-feira, 19 de junho de 2012

Coisas que aprendi na vida



Por Juliana Ramiro

Histórias de amor duram apenas 90 minutos, no cinema um pouco mais. Lasanhas de microondas menos que isso e são feitas em 15 minutos. O tempo é sempre relativo, apaixono-me num instante, passo a vida tentando apagar o momento. Cada um sabe o que quer ser quando crescer. Poucos são os que realmente vão atrás disso e de todo resto. Amores são sempre possíveis e possivelmente vão acabar um dia. Amigos são a família que a gente escolhe e aumenta e encolhe ao longo dos anos. A verdade está sempre na boca de um peixe, não na minha, não na tua. Mentiras, mesmo que sinceras, interessam sempre e sempre mais a quem mente... e só. A chuva nem sempre lava tudo e nem sempre leva o que tentamos proteger. Poesias são sempre sensíveis e sempre deixam alguém sem entender. Nossos pais são porto seguro, mas é grande o número de pessoas que preferem Salvador. A vida nos prega peças e nós quadros pelas paredes da vida. Atitudes nos trazem esperança, e ter esperança nos traz mais atitude. Ninguém é bom o bastante que já não tenha esquecido a hora de calar. E esquecido da importância de ouvir. A hora do relógio nunca se repete, porque nunca será igual. Ter mais que ontem e menos que amanhã é o lema de quem não desistiu de si. Para uma amizade dar certo o segredo é a soma da terra com dois regadores cheios de água, um só não adianta. Num relacionamento muito mais do que sentir é preciso “regalar”. Nenhum domingo de chuva precisa ser cinza. A mistura comida pra fome, comida pros ouvidos, comida pros olhos e comida pro coração dão cor a qualquer dia preto. Todas as cores juntas acabam virando preto, o segredo é ir adicionando as cores num processo lento, pouco misturado, curtindo o arco-íris antes que o preto aponte. Todos nós temos tijolos e cada um faz o que quer com os seus. Eu construo casas, enquanto outros, muros. E existem aqueles que guardam a vida inteira sua pilha de tijolos, com medo do amanhã. E o amanhã chegou e eles não têm nada. Todos nós construtores temos obras e uma obra em comum: a vida. Há quem chore de triste. Há quem chore de rir. E há quem nem saiba a beleza de chorar. Há quem dê um sorriso com a metade da boca. Há quem seja feliz pela metade. E há quem busque de forma incessante a felicidade plena e não saiba que já a tem. Há quem perca o ar emocionado. E há quem ganhe o céu apaixonado. Há quem morra enquanto vivo. Há quem viva enquanto morto. Há milhões de pessoas no mundo que desenvolvem teorias sobre tudo. E há quem simplesmente toque seu barco pelos córregos da vida. Há quem ache isso certo. Há quem pense que aquilo é errado. E fim.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Garrafas...




Por Fabiano Rosa Tatsch


Junho, dia dos namorados, casamento na roça, santo casamenteiro...O embalo da valsa dos namorados soluçando de rir da cara de quem queria estar apaixonado. Culminando com isso o frio do inverno que instiga a boa companhia, o bom vinho, o olhar carinhoso, o deitar no colo, o abraçar com olhos, o amar com a pele, o delirar com o cheiro, o se entregar imóvel, em pensamento. De roupa. Sem roupa.

Sempre vivi esse mês assim... pelo menos desde que eu entendo como isso funciona, vivi assim... anestesiado a ponto de agarrar espinhos pra chegar mais perto das rosas, com um coração perto pra se escorar no meu, com alegrias depositadas em juras de amor, com esperanças enfeitadas com laços de presentes... Hoje não mais...

E agora, faço o que com os espinhos, se já nem vejo a beleza das rosas? Outrora li que devemos guardar amores na gaveta, para serem recriados nos momentos de maior solidão. Mas se procuro em todas as gavetas e os que encontro já gozam de outra vida, de outros amores, já publicam nossas músicas, já recriam nossas frases, já sonham os MEUS sonhos, já se enfeitam com MEUS ornamentos?? Hoje precisava de uma garrafa de amores. Pra beber no gargalo, tudo de uma vez, e deixar escorrer pelo corpo todo, e não soltar até que se tenha chegado ao fim...

 E quando o fim chegar, ainda poder apreciar. Apreciar o fim que precede o começo. De um novo começo. E fazer isso com maestria. E sentir de novo o esquentar da alma, a soberania daquilo que mascara o senso crítico. E encher de amores outras garrafas...

Mas parece que o que me apontam são pequenos copos. Pela metade. Que já não matam minha sede. E a comparação é inevitável. Quem se contenta com o bom quando aprendeu o ótimo? Olhando pra trás cintilam as garrafas que foram tiradas sem que eu conseguisse beber tudo. Algumas quebradas com seu interior derramado. Outras que rolaram, foram jogadas pra longe, mas que permanecem com seu conteúdo intacto. Pronto para uma degustação mais madura. Seja nessa ou noutra vida.

E enquanto essa maturidade não chega e eu não posso gritar um amor, silencio. E continuo rabiscando traços do teu rosto. Mesmo que eu nem saiba que rosto tens. E nele almejar a entrega, sem recato. Sonhar a delicadeza sem pudores. E os amores das gavetas? Coloquei fora... Quero espaço para as novidades. Elas sim saberão me rejuvenescer e tirar o cheiro de mofo. Em cima das gavetas? Garrafas, juras de amor e laços de presentes. A espera de ti, que nem conheço... mas que fez eu me perder nesses tolos devaneios...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Análise de um solteiro do dia dos namorados



Por Juliana Ramiro

    Acreditem. Minhas análises sobre o dia dos namorados não vem de hoje, não é o primeiro ano solteira, nem será o último. Acho que devia ter uns sete anos quando me dei conta de como o dia 12 de junho era legal. Não, não tinha namorados no “prezinho”, e com sete anos já estava na segunda ou terceira série. O fato é que, no dia 12, como em todos os outros dias, ia pro colégio pela manhã, de carona com minha mãe, ouvindo a Continental. O dia 12 tinha algo de especial, as músicas eram todas ótimas, românticas. Mal chegava ao colégio e já queria ir embora pra ouvir mais um pouco de Continental no carro e mais um pouco de Continental em casa.

    Desde cedo, sempre tive um gosto musical esquisito. Passei minha infância ouvindo Fábio Jr com minha dinda, que morava do lado de casa; Roberto Carlos, quando ficava na vó; Maria Bethânia, o vinil Álibi, com minha mãe, e um pouco de samba e Simone, quando o pai chegava em casa. Sandy Jr e Leandro e Leonardo ouvia por conta própria, mas só as mais tristes, nada de “Vamos Pular” ou “Cumpadre e Cumadre”. Então, o dia 12 era o dia da minha grande realização musical. Era o dia que pegava uma fita K7 virgem, punha no rádio e gravava a programação inteira, que me servia de trilha, até o próximo dia 12. Nunca tive paciência para ficar trocando de estação. Era Continental durante o dia e, antes de dormir, a Eldorado e o seu Love Songs. As cartas dos apaixonados e a tradução das músicas eram sempre as melhores partes.

    Um pouco mais crescida, já apaixonada pela cor vermelha, do meu signo, enchia os olhos no dia 12. Tudo era tão vermelho. Anúncios nos jornais, revistas, TV, as vitrines das lojas, os restaurantes. Nossa. Era um sonho, tão lindo quanto o natal, mas sem a figura esquisita do Papai Noel.

    Um pouco mais crescida ainda, agora já tomada por amores platônicos ou reais, que nunca davam certo, no dia 12 era sagrado, pegava minhas economias, juntava um grupo de amigas solteiras e saía para jantar num restaurante que tinha na beira do rio, lá em Guaíba. No dia 12, a janta era servida a luz de velas, tinha um músico tocando violino, outro piano, e um terceiro que cantava. Conhecia o repertório inteiro e voltava para casa sempre com um gostinho de quero mais.

    Nos anos seguintes, sempre solteira, mantive o programa. Não ia ficar em casa, como se aquele dia não fosse meu também. Estava namorando comigo, com a vida, com todo aquele vermelho sentimental. Mas, agora, ao invés de apenas me maravilhar com o encantamento da data, passei a olhar para os lados e analisar as pessoas que estavam ao redor. Por certo, faziam o mesmo comigo.

    Confesso que observar os casais acabou com 50% do meu encantamento. Tantos ali, num dia daqueles, e com atitudes que nunca quis para mim. Os mais novos, com toda sua tecnologia, estavam frente a frente e mal se tocavam, talvez conversassem pelas redes sociais, um com o outro, ou, nem isso. O importante parecia o ato de sair no tal dia 12 e postar a melhor foto para os amigos virtuais verem - a disputa que quem ganhava mais “adoroooooo” na postagem. E o carinho, o beijo, o olho no olho?!?!? Pra quê?!?!!? Entre os mais velhos, observei o que sempre tive medo em qualquer relacionamento, estar com alguém por comodidade, costume. Não mexiam no celular, por que isso é falta de educação, no entanto, estavam mais preocupados com a comida, o garçom que demorava, o carro que estava na rua, os filhos que deixaram em casa. Não mantinham um diálogo entre si, não se olhavam, nenhum carinho se não na hora de ir embora, que o homem segurava a bolsa da mulher, enquanto pagava a conta, e ela fazia xixi.

    Dava para contar nos dedos de uma só mão, os casais que realmente sentiam a vibração daquele vermelho, das músicas, das velas, sentiam alguma vibração entre si. Olhavam-se, curtiam a companhia e a existência do outro. Triste. Disso tudo, tiro duas questões. Será que estamos tão acostumados com relacionamentos por comodidade que não percebemos que exista um sentimento capaz de dar vida a uma saída pra jantar no dia 12 e a qualquer outro programa ao logo do ano? Será que só eu acredito neste sentimento?

Que venha o próximo dia 12 de junho. Estou preparada e VOCÊ?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Um bom motivo


Por Juliana Ramiro


Um bom motivo. Afirmação que antecede e, ao mesmo tempo, sugere a resposta a um convite.

Me beija? Me dá um bom motivo.

Sempre existirá um motivo ou um bom motivo para que algo aconteça? Sempre existiram motivos pulando das bocas para os ouvidos, movendo o restante dos corpos? Para tudo na vida tem um bom motivo? Motivos são argumentos ou justificativas? Motivos são respostas de quem não sabe o que ou por que responder? Tudo precisa mesmo de um motivo? E quando não existirem mais motivos, quando se esgotarem ou forem imersos pela vontade? Os motivos saem sempre da boca? É por isso que não me beijas?


“You can take everything I have
You can break everything I am
Like I'm made of glass
Like I'm made of paper
Go on and try to tear me down”

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cada vez mais poeta



Por Juliana Ramiro

Alguns banhos de chuva e se torna inevitável. Até a casca mais dura fica um pouco mole. Andei levando uns banhos, não só de chuva, mais de arte, de sentimentos, das relações humanas, enfim, banhos da própria vida. Guardei até agora. Os extrapolo aqui.

Idéias novas pedindo passagem, mágoas que pareciam estar vencidas, mas que chegam e vão entrando sem bater na porta. Dia após dia vou lambendo cada ferida e, mesmo sem a ajuda de algum remédio, vou tentando costurar o saco de retalhos que me tornei, frente a cada lembrança, cada verdade, cada realidade que topei.

Não me considero a pessoa mais limpa, mas tenho certeza que a mais suja não sou. Inocente, creio na cura e na mudança do outro, além de na minha própria mudança. Sou incapaz de acreditar nos meus erros. Penso que vou morrer sem considerar que meu coração por vezes, muitas vezes, tantas vezes se enganou, deixando fazer morada amigos e amantes que não deveriam nem ter passado pela minha estrada.

Ou talvez devessem. E tudo que hoje parece um erro foi acerto. E tantos acertos me fizeram o que sou, deram vazão a minha força, aos meus devaneios, aos meus anseios, sentidos e a minha arte. Pena não poder dividir e destrinchar tantas coisas com as pessoas que amo. Uns não dão assunto, ou não entendem, outros preferem não participar de certas coisas.

A verdade é que me sinto cada vez mais poeta. Um poeta louco, extrapolado, que escreve, escreve, escreve... e termina mais um dia incompreendido, sozinho e calado.


"É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Eu matei o amor



Por Juliana Ramiro

Li uma crônica do Carpinejar que é o tipo de texto que seu efeito costumo relacionar com uma partida de futebol para quem perdeu a forma e há muito não joga. O cansaço vem logo nos primeiros instantes, mas a dor, a dificuldade de caminhar, de se mexer, o arrependimento de ter ficado tanto tempo parado ou de ter entrado nessa aventura de novo vem sempre com 48 horas de atraso.

O texto do Carpinejar defende a teoria de que nós assassinamos o amor. O amor nasce para ser infinito, mas nós, no dia-a-dia, com palavras erradas, gestos mal interpretados, atitudes mornas ou quentes demais, é que determinamos seu fim.  Logo nas primeiras linhas do texto do autor já veio o desconforto, mas, a dor de ter lido tal verdade atingiu seu ápice passadas 48 horas, quando um forte sentimento de culpa bateu na minha porta.

Quantos amores lamentei que tivessem chegado ao fim?! Algumas vezes, acreditei que era a velha história da pessoa certa na hora errada. Mentira. Agora a ficha caiu, olho-me no espelho e vejo uma perfeita serial killer e tenho até um modus operandi . É sempre do mesmo jeito, nunca é diferente.
Sei exatamente como matar o que trago no peito e quando me dou conta estou construindo a mesma teia. É genético, as mulheres da minha família há algumas gerações agem do mesmo jeito. Somos feito aranhas, sempre construímos a mesma teia.

Alguns me recomendariam terapia. Desculpa, mas embora sofra com minha herança genética, tenho certo apreço por ela. Não fazemos mal a ninguém além de nós e o amor. Mas quem nunca assassinou um amor que atire a primeira pedra. E meu texto termina aqui. Sou réu confesso, contudo, sem mais.


Confira a crônica do Carpinejar CLICANDO AQUI!


quarta-feira, 14 de março de 2012

Ahhh, Teresa!






Por Juliana Ramiro


Dia de chuva bate aquela melancolia e a nostalgia me assola. Gosto de lembrar o passado e utilizo meus livros para recordar minhas próprias histórias. Depois de assistir um pouco de TV resolvi sentar na frente da estante de livros e buscar nas minhas anotações e inúmeras páginas dobradas algo que já tivesse lido, gostado e que voltasse a conversar comigo. Entre os livros achei Teresa, de Manuel Bandeira.
Ahhh, Teresa, por muito tempo achei que não existiam pessoas como tu, ou que eu, infelizmente, nunca conseguiria me apaixonar por alguém assim. Para quem não conhece os versos de Teresa, aqui estão:


“A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna


Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)


Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.”


Para mim o difícil de ter uma Teresa sempre foi resistir os primeiros olhares. Perceber seus olhos velhos, suas pernas estúpidas e mesmo assim lhe dar tempo. Tempo para que pudesse misturar meu céu e minha terra, mexer nos meus sentidos, trazer-me a paz e, junto, uma história sobre águas claras e tranqüilas.


Sempre achei que para ser amor tinha que ser forte, avassalador, quente demais, dolorido demais, apaixonante demais. Mas só quando se dá espaço a uma verdadeira Teresa é que se descobre que a tranqüilidade e amor, na maioria das vezes, caminham juntos.


E se descobre que o amor nem sempre acontece quando pousamos nossos olhos sob a pessoa mais bela, a mais emocionante, a mais cheia de mistérios, a que nos tira mais do sério logo que a conhecemos. Pessoas assim, nas experiências que tive, mostraram-se Teresas ao contrário. Num primeiro momento, diante dos meus olhos pareciam anjos, seres de outro esfera, capaz de mexer com a terra, o céu, o ar, tudo. Num segundo momento, cometem um deslize que ainda não estamos aptos a perceber, pois ainda estamos sob o efeito do primeiro contato. Da terceira vez que estamos diante dessas falsas Teresas, seus olhos penetrantes e pernas celestiais dão espaço a atitudes estúpidas.


Não sei se todos concordam comigo, mas a vida me ensinou que mais vale darmos tempo a Teresas de olhos velhos e pernas estúpidas para que atinjam e deixem nosso coração em paz, do que apostar em falsas Teresas que nos cativam com a beleza porque por dentro não têm mais o que nos oferecer.


Saudações a todas as Teresas que existem no mundo. E aqueles que sabem apreciá-las.


* Texto lido no programa Eu tô falando de amor, da rádio 2 IGUAIS, dia 14/03

quinta-feira, 8 de março de 2012

Quem nunca amou ao menos uma mulher na vida?




Por Juliana Ramiro


Quem nunca amou ao menos uma mulher na vida? Posso dizer que amei algumas. Não sou feminista, não sou a favor de comparações entre os sexos, este texto é uma extensão daquilo que venho sentindo desde antes de vir ao mundo, quando me apaixonei pela primeira vez e pela mulher mais importante da minha vida: minha mãe.

Abdicar de noites de sono, do corpo naturalmente perfeito, se permitir engordar, inchar, desequilibrar e gerar. Servir de casa, de abrigo para um novo ser que vem ao mundo. Se Deus assim o quis, é por que só a mulher seria capaz de desempenhar este papel com tamanha maestria. Mesmo com todas as dificuldades do dia-a-dia desta missão sei que ela me amou e eu a amei desde o primeiro instante que nos tornamos uma a realidade da outra.

Depois, nos primeiros anos de vida, descobri que existia outra mulher pela qual estava de quatro. Seu jeito doce, compreensivo, de quem já passou por um bocado de coisas na vida e saberia me entender e aconselhar sempre que eu precisasse de ajuda, deixou-me encantada. Tenho muitas lembranças felizes com meu avô na infância, na adolescência, agora, deitar no colo da minha avó e receber sua mão trêmula, indo e vindo nas minhas costas, foi, certamente, uma sensação única, da qual morro de saudade.

Depois vieram outras mulheres. Minhas tias, elas eram as mulheres que eu gostaria de ser quando crescesse. Determinadas, engraçadas, estudiosas, elas me ensinaram a amá-las e amar estar na companhia delas.
Tenho certeza que amei minha primeira babá. Ela podia ter alguns muitos defeitos, mas paciência era uma das suas maiores virtudes. Com ela aprendi a gatinhar, a dar meus primeiros passos, comer alimentos diferentes, crescer. Eu a amava por tudo isso e, também, por que ela me matinha entretida, até que a mulher da minha vida voltasse para casa, para mim.

Depois amei a minha professora do jardim. Lembro até hoje que ela chegava na sala de aula, tirava seus sapatos de salto alto, punha nos pés um chinelo Havaianas e sentava no chão para nos apresentar, todos os dias, um mundo novo. Depois dela, amei a professora que me ensinou a ler, que entendeu minha inquietude em saber mais, e sempre mais, e não fez disso um motivo para advertências. Amei algumas professoras que reconheceram e estimularam os meus talentos para por no papel aquilo que sempre tive dificuldade de fazer sair pela boca.

Amei algumas amigas, que pude contar em momentos decisivos de minha vida. Admirei mulheres que, mesmo em tempos difíceis, riscaram seus nomes na história, na minha história.

No ano passado, amei a primeira mulher que não fez esforço algum para que nascesse esse sentimento dentro de mim. Lembro que foi amor a primeira vista, eu a vi, enchi meus olhos de lágrimas e soube que era para sempre. A Vitória, minha irmã-afilhada, despertou e vem despertando em mim uma nova modalidade de amor.

Sei que o lugar dessas mulheres que amei, e amo, poderia ter sido preenchido por homens. Mas tenho plena certeza que seria totalmente diferente. Para mim, uma pessoa é capaz de passar a vida inteira sem amar um único homem, agora não existe quem não tenha se visto amando uma mulher.


*Texto lido no programa EU TÔ FALANDO DE AMOR, na rádio 2 Iguais, do dia 8/03, em homenagem ao dia internacional da MULHER.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Você tem um bom plano?

Por Juliana Ramiro


Sou a pessoa de férias mais ocupada que já existiu, por isso mesmo aparentemente desocupada não consegui parar para escrever antes. São novos trabalhos, novos projetos, novas tecnologias, novas pessoas, novas experiências, e o mesmo corpo de sempre. A onda que trouxe todas essas novidades e que me deixou quase um mês colocando tudo no lugar começou quando contava os minutos para sair de férias.


Dia 20 de janeiro, sexta-feira, último dia de trabalho antes de 20 merecidos dias de férias, chamaram-me para uma reunião “tensa”, com outros dez colegas, que resultou na minha demissão e na deles. Desespero de uns, alívio de outros, confesso que estava mais triste por perder a convivência com pessoas queridas, por deixar alguns trabalhos incompletos, por ver o sofrimento de quem tinha a empresa como meta futura, do que triste por estar desempregada. Não chorei, não me desesperei, sempre tive aquela instituição como um degrau para alcançar os meus altos sonhos profissionais.

Nem só de altos sonhos profissionais se preenche minha cabeça, que como sempre disse minha mãe, não pára nunca. Tenho sonhos grandiosos em todos os setores da vida. Uma grande viagem, uma grande mudança, um grande amor, uma grande família, uma grande mestre de uma grande universidade, um grande retiro espiritual, uma grande contribuição para a humanidade. Sim, todos esses gigantes vem e vão na minha cabeça, quase que o tempo inteiro, e dão forma ao meu presente, deram no passado e estão nas metas para um futuro próximo, talvez distante.

Quem convive comigo sabe que seguido estou com os olhos perdidos em algum lugar distante, mas dentro de mim. Deixo o destino me mostrar o que ele reserva, porém em cada caminho já chego com um grandioso plano de ação. Não sou do tipo que agoniza por falta de rumo. Plano A, plano B, plano B do B. O importante é ter opções. Triste é apostar todas as fichas num caminho só, e ver este caminho sumir do mapa, levando nossas fichas e boa parte da nossa sanidade.

Muitos dos meus planos são considerados loucura, muitos nem mesmo meu travesseiro conhece. Enquanto algumas pessoas estão forrando seus guarda-roupas para ter uma veste para cada ocasião, estou forrando meus arquivos para ter uma opção de vida para cada vez que reabrem as cortinas e um novo show se inicia.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Com a mala pronta.





Por Juliana Ramiro

Calma. Não estou indo embora, ainda.

É bom finalmente ter um tempinho de passar por aqui e colocar umas idéias na rede. Agradeço pelas cobranças de novo post que recebi, tais gestos mostram que tenho quem me leia. Agradeço mesmo, de coração.


Mas vem cá, o que significa para você estar com a mala pronta? Quando era criança, uma mala pronta me deixava imensamente feliz. Minha família nunca fez grandes viagens, mas o pouco dinheiro que economizávamos o ano inteiro, passado o natal, garantia nossas malas prontas na frente da porta da sala: íamos veranear em Presidente, Mariluz, Imbé, Tramandaí. Certa vez fizemos as malas no inverno, naquele ano conheci a Serra Gaúcha e o Natal Luz. Meus olhos infantis nunca tinham presenciado tamanha iluminação e magia. Refizemos mais duas vezes o passeio, até o tempo regular minha retina e dar um banho de realidade na luz de Gramado e a deixar quase sem brilho.


Com uns seis anos, além das malas na porta, encontrei toda nossa mudança. Estávamos, eu, o Rafa e meus pais, indo para a casa da frente. Mais uma mudança feliz. Era uma casa maior, “de material” e eu teria um quarto só meu. Era o começo do meu mundo, do meu desejo de ter um pedaço de terra em que o que fosse dito por mim era lei. Nessa época comecei a aprontar malas menores para passar finais de semana na casa das tias, dos amigos, da vó. Lembro que a função de pensar em tudo que iria precisar e ter o cuidado de não deixar nada para trás, além de fazer caber o máximo no mínimo espaço me davam uma sensação muito especial.


Com 18 anos, outra vez vi as malas prontas na porta da frente. Dessa vez, não eram nossas, minhas, eram somente do pai. Meus pais estavam se separando e lembro que essa foi a primeira vez que malas prontas não me pareceram algo bom, não estava feliz, tive medo. Com o passo do tempo pude perceber que aquelas malas, na época, podiam ter sido arrumadas com certa tristeza de todos, mas que, sem dúvida, passado o susto, todos estávamos felizes e prontos para as próximas malas que vinham chegando.


No mesmo ano, aprontei minhas malas e dei início a realização do meu primeiro grande sonho, aquele que nasceu com o quarto só meu na casa nova. Estava indo morar em Porto Alegre. Num primeiro momento, a mãe veio comigo, para se certificar que ficaria tudo bem, que eu estava pronta para dominar meu território, administrar o tão sonhado espaço onde faria minhas leis. E por quase cinco anos, com altos e baixos e muito aprendizado, mantive o trono e o reinado. Nesses anos fiz as malas algumas vezes para conhecer outros lugares, países, pessoas.


E nesse tempo todo, a sensação de grande felicidade ao ver uma mala pronta fez parte de mim, dos meus sonhos de criança às minhas realizações de recém adulta. Hoje, finalmente consigo entender o que de fato significam malas prontas para mim. Elas são o sinal de uma mudança. Mudança de casa, de estado civil, de ares, de emprego, de vida.


Sou aquele tipo de pessoa que onde pára cria raízes. Não sei ser meio amiga, meio profissional, meio proprietária, meio amante. Sou aquele tipo de amiga que abre a casa, que considera irmão, defende, faz planos, sonha junto. Sou aquele tipo de profissional que tem a mesa repleta de badulaques, que faz da empresa uma espécie de lar, que constrói laços e se esforça sempre para realizar o trabalho cada dia diferente, diferentemente melhor. Sou aquele tipo de proprietária que mexe no bem, deixa-o com um jeito próprio, propriamente meu. Sou aquele tipo de amante que participa, ajuda, quer conhecer cada pedaço, surpreender, entender coisas que até mesmo o ser amado não compreendeu sobre si mesmo.


Enfim, sou do tipo que entra no jogo para jogar, que sugere fazer o pão e coloca a mão na massa. E as malas prontas? Para gente intensa feito eu, as malas prontas significam uma rápida e indolor retirada. O mundo gira e minhas malas estão sempre prontas para girar com ele, comigo. Posso me dizer fácil de criar raiz. E posso dizer que minhas malas prontas sempre me levaram para uma realidade mais feliz.

E dessa vez e da próxima, e da próxima, e da próxima... NUNCA SERÁ DIFERENTE.





“Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz”



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Trânsito é inteligência e educação.



Por Juliana Ramiro


Meu blog normalmente tem um tom mais romântico, apaixonado... Desta vez senti necessidade de mudar um pouco o foco. Vou falar de amor, no entanto, do amor ao próximo. Amor fruto da educação, dos valores que fomos imersos quando crianças e jovens. Não é a primeira vez que leio “avatares” nas redes sociais criticando agentes de trânsito que se escondem para multar por excesso de velocidade, “metendo pau” na Lei Seca, comparando ela com a impunidade de um assassino. Frases como: “O cara bebe e é tratado como criminoso; o cara mata e consegue fugir” são recorrentes, revelando, no fim, um quadro de plena inversão de valores.

Enquanto trabalhei como instrutora de aspirantes a motorista, tentei, nos nove dias de aulas teóricas as quais são submetidos, passar para eles que o trânsito é construído por cada um. Enfiar a chave na ignição, acionar a mistura COMBUSTÍVEL + FAISCA + AR, engatar a primeira marcha e arrancar com o carro não são ações meramente químicas, motoras e mecânicas. Ingressando neste processo, o cidadão passa a ser responsável por todas as vidas que cruzarem sua frente, lados e costas.

O problema do trânsito está na dificuldade do ser humano de criticar o próprio umbigo. Olhar todo mundo olha. Agora, apontar, criticar, revolucionar é bem mais complicado. A maioria dos condutores quando recebe uma multa em casa logo pensa: “Quem foi o filho da “mãe” que me pegou, na certa ele estava escondido, como não o vi, vou recorrer, deve ter algo errado.” Dá para contar nos dedos quem recebe a multa e pensa: “Preciso avaliar minhas atitudes no trânsito, dessa vez minha imprudência só resultou numa multa, mas podia ter sido uma vida.”

Pagar quase mil reais de multa por ser pego dirigindo bêbado é muito caro? Você conseguiria pensar em quanto custa a vida das pessoas que ama? Mil reais será que paga a vida de um ser humano inocente? Ou será que sustenta a família que ficou sem sua principal fonte de renda e ainda vai ter que bancar infinitos remédios e tratamentos para manter um aleijado fruto da irresponsabilidade alheia?

Quem muito se preocupa com agente de trânsito escondido, o alto valor da multa por teor de álcool no sangue e tantos outros temas que rolar pela web, é porque está deixando de se preocupar com o principal. Se eu andar na velocidade permitia faz diferença se o agente está presente, escondido ou não? Se eu não dirigir bêbado faz diferença o valor da multa? Quem nunca cometeu uma infração de trânsito que atire a primeira pedra. Errar é humano, ser responsável pelo risco que expôs a si e aos outros é ser cidadão. Não persistir no erro é papel de todo cidadão consciente e educado.


VÍDEO QUE MOSTRAVA PARA MEUS ALUNOS

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Da boa educação...





Por Juliana Ramiro


O tal post do final do ano, neste ano, saiu um pouco atrasado, mas no momento certo. Antes de pegar a estrada e passar quatro dias maravilhosos com minha mãe e amigos estava mais preocupada em arrumar as malas e programar a melhor maneira de aproveitar o feriado do que fazer o balanço daquilo que o tempo deixou no passado. Já em casa, de volta ao trabalho e a rotina, sigo com algumas coisas que vivi nesses 4 dias indo e vindo na minha cabeça. Tais pensamentos me ajudaram a selecionar os pontos de partida daquilo que quero falar sobre 2011.

Amizade. Crescimento. Família.

Falando de amigos, posso dizer que foi um ano bem interessante. Conheci pessoas ótimas, renovei laços, refiz laços e me livrei de falsos amigos. Sigo com saudade dos que estão longe, e saudade dos que optaram por estar longe mesmo perto. Pensando nessas relações todas, já consigo perceber o meu crescimento. Perdoar um amigo e deixá-lo seguir suas escolhas, tendo plena certeza que aquela está longe de ser sua melhor opção de caminho eram atitudes que jamais imaginei ser capaz de ter, mas tive. Isso ainda me custa um pouco. Meu lado protetor grita frente ao erro e ao perigo. Fico com as pernas trêmulas, o coração apertado, triste, sem saber exatamente como me comportar.

Falando mais um pouco do meu crescimento, para os que acreditam em horóscopo, estou cada vez mais meu ascendente, o peixe. Meu sangue não ferve tanto, não tenho mais tanta necessidade de ser o rei da selva, não espero mais tanto das pessoas, desisti de esperar sempre uma recompensa e que os outros sejam tão firmes como eu. Acho que com os anos estou ganhando peso, cabelos brancos e um novo jogo de cintura. A repetição da palavra “tanto” e suas variações indica que ainda preciso evoluir mais.

Por fim, falando da minha família, quero agradecer pelo amor mas, acima de tudo, pela educação que tive. Hoje li um matéria que falava de um pai que, antes de morrer, entre várias iniciativas, escreveu uma carta para os filhos, com 28 lições de vida. De lá, destaco duas:

Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.

Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.

Como isso falta para as pessoas. Como tem gente que se sente menos e precisa avacalhar com os outros para se sobressair. Como tem gente rude, mal educada, que pensa que “é bonito ser feio” e que o mundo tem que agüentar porque “esse é o meu jeito”. Como tem gente sem noção, que não aprendeu nem a ser um bom vencedor, que dirá um bom perdedor. Para mim, isso tudo vem de casa e do quanto uma pessoa é capaz de crescer em cima da reflexão de uma lição. Então, agradeço aos meus pais por todas as lições dadas e ao meu cérebro e suas capacidades de entender tais ensinamentos e, de forma toda especial, pela sua capacidade de mandar-me respirar ao invés de falar.

Fecho esse post dizendo que minha frase para 2012 será:

Aprenda com quem tem mais, doe para quem tem menos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Em doces guerras frias...




Por Juliana Ramiro


“O nosso amor sumindo
Entre partir, ficar
Entre o norte, o sul
Cruzando sobre os raios
Antenas de TV
Porque você me olha
Se você não me vê
Sobre os oceanos
Em doces guerras frias
Não deixa anoitecer
Não deixa escurecer
O Nosso dia”



Cruzando raios. Estou há dias com essa música na cabeça. Ninguém me agüenta mais. A canção é velha, de um cantor que poucos gostam e foi tema de novela das 20h. Assim, todo mundo conhece, pouca gente curte. A letra, num primeiro momento, não me disse nada, só hoje descobri por que ficou tão impregnada nos meus pensamentos. Ela serviria para inspirar algo que preciso por pra fora, cuspir mesmo.

Pior do que o amor que se vai é o gosto amargo e o cheiro azedo que fica. E esse cheiro fica impregnado na casa, na roupa, na pele, por tudo. E a gente tenta um cheiro melhor, um cheiro puro, mas o passado é tão forte, que nos bloqueia as vias, talvez as veias.

E mesmo um beijo doce, talvez o beijo mais doce que possa existir não é capaz de tirar por completo o amargo da boca. Eiii, não estou falando de amor. O amor é bom e já foi embora, o que sobrou foi o gosto ruim, que não vai, mas já vai tarde.

O cheiro azedo se mistura com o cheiro de cola. A gente cola os cacos, mas o cheiro fica. E a nossa própria cola se mistura com o cheiro de tinta, da tinta que a gente rabisca o novo futuro. E risca e rabisca.

Quem dissolve tudo isso? O tempo. Ele alivia o cheiro, amacia o gosto, torna a tinta fresca seca. Acalma o pensamento. Fixa os rabiscos na história, estabelece cada lugar. Dá vida. Traz vida. Devolve vida. V-I-D-A-!



Música inspirada na música Cruzando Raios, na versão dos músicos Matheus Possebon e Jonathan Corrêa.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Doce.



Por Juliana Ramiro

Doce.
É estranho ter uma vida doce.
Sentir um beijo doce.
Um toque doce.
Um telefonema, uma mensagem, um bilhete.
Doces.

Depois da primeira prova:
Como pude viver tanto tempo sem isso?!
Sem estar se prendendo numa total liberdade.
Sem estar com a cabeça cheia e o coração leve.

Encontrei o doce não na força, na queda de braço.
Ele está em cada pigmento da ires.
No rosado dos lábios.
No esfregar dos olhos.
Na timidez de cada passo.
Na liberdade de alguns gestos.
No riso, no sorriso.

...e que seja sempre doce.


“All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something”



Música inspirada na música The Nicest Thing - Kate Nash

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Chega de sofrimento.




Por Juliana Ramiro


Talvez tenha sido o post mais fácil de ser registrado. Costumo dizer que minhas idéias ficam maturando na cabeça. Identifico um bom tema, algo sobre o que gostaria de escrever e fico mentalmente divagando sobre ele, até que encontro uma música que o faz sair de mim. O texto passa da cabeça para os dedos, dos dedos para o papel. Dessa vez nem precisei de música, e nem de muito tempo. Dedico o ágil processo a uma amiga que leu a mim um texto do Carpinejar ao telefone.
A crônica falava do sofrer, dos tipos de sofrimento, das escolhas que fazemos. Minha vontade era, enquanto ela lia já ir colocando no papel toda a minha revolta. Estou cansada de gente que acha que pode medir o amor pelo sofrimento que ele causa. Quem disse que quem ama tem que sofrer um dia? Quem disse que um relacionamento para ser intenso tem que machucar, doer, sangrar? Quem disse que porque eu não estou atirada numa cama, não estou emagrecendo e chorando dia e noite não possa estar sofrendo? Sofrer ou não nem sempre é uma escolha. Consumir-se dentro deste sentimento é.
E eu opto pela vida. SEMPRE. Acho que drama não resolve as coisas. E cada dia mais observo que o melhor, o mais verdadeiro, nem sempre é o mais dramático. Estamos falando de vida real não de novela mexicana. O roteiro é permeado por contas a pagar, amigos a divertir, trabalhos a realizar, uma vida para viver.

SINTO MUITO, PORÉM NO MEU ROTEIRO NÃO SOBRA TEMPO PARA DEMONSTRAR SOFRIMENTO. SOU O TIPO QUE DEMONSTRO O AMOR. O AMOR A MIM, A MINHA VIDA E AQUELES QUE ME FAZEM BEM.


( Música que acabou com meu primeiro sofrimento amoroso aos 15 anos )