terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Despedida

Não sou boa em despedidas. Na falta do que dizer, acabo fingindo que estou aqui quando na verdade já estou de partida. Sinta culpa pelo prazer que me dá seguir viagem, principalmente quando lembro que cada ida é uma vinda que fica para trás. E mesmo que a gente diga que a casa vai ficar arrumada, ela jamais será a mesma. Aquela bagunça do dia a dia é que dá o colorido da morada. A organização jamais substituirá uma presença.

Nessas de fingir que estou onde não estou acabo economizando meus abraços e poupando palavras de carinho, que talvez explicassem o que sinto. Faço isso por proteção, pois a cada despedida perco um pedaço de mim. Ganho novos, é verdade. E é verdade também que, se desse, reteria todos esses pedaços e os levaria comigo, junto com as minhas economias sentimentais.

Quando ouço pessoas falando das suas viagens pelo mundo sempre penso: isso não é para mim. Das poucas vezes que saí de casa e me arrisquei sempre conheci pessoas que quis trazer comigo. Para mim, viajar é dividir o coração entre um mundo novo e o meu. Não tenho coragem para isso.

Agora é hora de olhar para frente.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

To taste the sweet, I face the pain

“I broke my heart for ev'ry gain
To taste the sweet, I face the pain
I rise and fall, yet through it all this much remains”


Muitas músicas abordam o mesmo tema – o tal do levantar e cair, do superar a si mesmo, do arriscar. Ouvindo “One moment in time”, um clássico da Whitney Houston, interpretado por uma das vozes do The X Factor de 2014, fiquei me perguntando o que significa levantar e cair e quem de fato se permite cair.

Pra mim, só supera a si mesmo quem admite-se quebrado. Como diz a música, só prova o doce da vida quem enfrenta o sofrimento e o amargo de viver. Mente quem diz que a vida pode ser sempre doce. Também, que graça teria? A vida é feita de doces e azedos. E só valorizamos o doce quando somos capazes de aprender com o azedo. Quem não se admite superável, não constrói uma nova forma de ser. A dificuldade de admitir-se quebrado está na tênue linha entre levantar e nunca mais conseguir juntar os cacos. Tem gente que cai, quebra e não descobre a cola.

Entre os quebrados que nunca se colam e aqueles que quebram, colam-se e tocam o barco existe algo de louvável em comum – eles tentaram. A pior existência, e aqui é um julgamento de quem diariamente é julgado, é a mera existência. Viver é quebrar. Quem não se deixa quebrar, ou não se admite assim, apenas existe e nunca chegará ao doce. O doce da vida não é para crianças, mas para quem cresce, cresce por dentro e cresce por fora. Talvez os “existentes” forjem o doce como forjam a própria vida. E vivem tão amargos que são incapazes de ignorar ou encarar com leveza a vida de quem quebra, de quem tenta. O preconceito mora na indestrutível casa dos eternamente amargos.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Não voto em partido, voto em pessoas



Por Juliana Ramiro

"A convergência do eleitorado para o centro político, distanciando-se progressivamente dos projetos políticos extremados, foi acompanhada pela tendência centrípeta dos partidos, formando o que a literatura especializada chama de partidos catch-all [aqueles que aproximam-se do centro político, onde está a maior parcela dos eleitores, na busca da maioria dos votos]. O resultado da eleição de um partido assim é a sub-representação das minorias, colocando em cheque o próprio modelo representativo de governo."*

O trecho é de um artigo escrito em 2002, texto que nas últimas eleições fez-se extremamente atual. Temos espaços de poder atolados de representantes de partidos políticos que, de verdade, não representam as minorias, nem representam de forma ampla todas as “fatias” da nossa sociedade (o que garantiria a plena democracia).

Vem desta tendência centrípeta a dificuldade dos eleitores de escolherem seus representantes. Os partidos acabaram todos muito parecidos, parecidamente agradáveis para os eleitores, dificultando a tomada de decisão. Vem daqui também o papo do “não voto em partido, voto em pessoas”, pois, sendo a grande maioria praticamente semelhantes, os eleitores passaram a buscar elementos nos perfis pessoais dos candidatos para justificar o voto.

Nisso, Collor se elegeu por ser bonito, FHC por ser intelectualizado, Lula por ser um legítimo representante das histórias de pobreza do Brasil. Não estou afirmando que os acima citados não têm atributos que legitimam suas eleições. Reconheço o lado bom de cada um. O que quero alertar é que votamos em pessoas e essas pessoas carregam orientações partidárias, mesmo que centrípetas e rasas, mesmo que finjam que não para conquistar a maioria dos votos, e essas pessoas deveriam ser nossos representantes. Se não conhecemos suas ideologias, suas orientações, a quem servem, como podemos afirmar que, de fato, um candidato nos representa?!

Eu respondo, baseada nos apontamentos de Alexis de Tocqueville (1987), de que os indivíduos estão prioritariamente voltados para o seu próprio bem-estar, concentrados nas atividades que garantem a sua sobrevivência ou enriquecimento pessoal. Por isso, não encontramos tempo para nos dedicarmos aos negócios públicos. Votamos com nosso umbigo e reclamamos da política pelo mesmo buraco (só pode).

* Propaganda Política e a Construção da Imagem Partidária no Brasil: Considerações Preliminares (Afonso de Albuquerque e Marcia Robeiro Dias)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Urgente! Olhemos para dentro



Por Juliana Ramiro

Duas verdades da vida. A primeira delas é que a dor tende a nos deixar cegos. A segunda é que o sentimento de injustiça nos torna cada vez mais injustos. Parece estranho? Não é. Quando a gente perde alguém próximo, por uma fatalidade ou brutalidade tendemos a buscar culpados e sempre os achamos e, diante de tamanha dor e injustiça, porque a morte é sempre dolorida e injusta, traçamos nossos julgamentos, chegando, na maioria dos casos, a duas conclusão: o mundo não tem jeito, as pessoas não prestam.

Na semana passada um dado me fez refletir sobre isso. Li uma matéria na Super Interessante que o título era: Suicídio mata mais que homicídios, guerras e desastres naturais. O número mundial de pessoas que tiram a própria vida é de 883 mil por ano contra 699 mil vítimas. De fato as pessoas só podem estar prestando cada vez menos, ou pensando que não prestam e duvidando das chances de termos um mundo melhor. Tal hipótese validaria os números.

Hoje estamos cegos, injustos e rasos. A nossa dor é sempre maior que a do outro, assim, somos incapazes de oferecer a mão. Duvidamos das chances de um mundo melhor pois efetivamente não fazemos nada para isso. Jogamos para o outro uma responsabilidade que também é nossa. Ninguém fala em construir algo melhor, construir na primeira pessoa, ou construir no nós, no vamos.

Enquanto estamos pondo a culpa no governo corrupto, na malandragem das pessoas, na falta de escrúpulos, na ausência de respeito com o próximo, culpando assaltantes e assassinos de fazerem do mundo um mundo pior, pessoas a nossa volta tiram suas próprias vidas. Quem afinal é o vilão da história? Estamos tão preocupados com guerras, guerrilhas, ataques e esquecemos que nossas próprias mãos podem matar nossos próprios sonhos.

Pode parecer louco, mas pra mim faz todo sentido.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

De volta...



Olá, imagino que meus leitores devem ter me abandonado, devido ao tempo que estive afastada do blog. A verdade é que a vida vai passando, as rotinas vão se desfazendo e novos horizontes nos tomam cada vez mais tempo. Pra mim, isso não é ruim, como costumo dizer o que incomoda é um barco parado.

Estou numa nova fase da vida, lendo coisas que escrevi no passado vejo o quanto mudei, mudei de opinião, de gosto e inclusive de rosto. Cogitei começar um blog do zero, mas me parece muito mais interessante ter tudo aqui, todo o meu crescimento e amadurecimento exposto. Imagino que possa ser interessante para quem me lê como é pra mim. Afinal, todos devem ter mudado.

Neste momento da vida, já me formei em jornalismo, estou concluindo um MBA em Marketing Digital e Mídia Sociais e cursando uma cadeira como aluna especial no Mestrado em Design e me preparando para a seleção, que será no final deste ano. Minha proposta pra o blog nesta nova fase é intercalar crônicas sobre o cotidiano, meu desabafos e devaneios com algumas coisas que escrevo profissionalmente e como acadêmica. Só um mix de tudo isso expressaria, de fato, quem sou e como estou.

Espero que gostem! E, já neste novo processo, compartilho uma "conversa minha" com a leitura de um texto de Oscar Wilde - "Las artes y el artesano". Está inacabado, mas gostei do exercício. Aguardo opiniões.


JULIANA RAMIRO - NARRATIVA E BREVE CONEXÃO COM ÁREA DE INTERESSE

O texto de Oscar Wilde, Las artes y el artesano, embora seja de 1892, se faz atual, pois defende ideias que ainda hoje pautam discussões profissionais e acadêmicas que envolvem o design, a propaganda, o cinema, a fotografia, o jornalismo e outras áreas onde a técnica e a criação caminham lado a lado. Wilde defende a junção do artesão e do artista, alegando que quando separados os dois são arruinados – um perde seu motivo espiritual e seu poder imaginativo, o outro sua perfeição técnica. Com base nesta afirmação, alguns temas podem ser pautados, aqui serão destacados três: os limites entre a técnica e a arte (se é que eles existem), a coexistência entre a arte, o artesanato e tantas outras manifestações culturais e o preconceito cultural.

Considerando dois conceitos básicos de que o artesão é o profissional que fabrica produtos através de um processo manual ou com auxílio de ferramentas e o artista é o sujeito envolvido na produção de arte, no fazer artístico criativo, quando um designer usa suas habilidades técnicas e criativas para desenvolver uma poltrona, ele está sendo artesão ou artista? Wilde defende a união entre a técnica e a criação, o profissional do design é a materialização deste conceito. Para validar esta definição cabe o exercício de pensar na subtração das habilidades. Será que sem a técnica ou sem a criatividade o resultado final seria a mesma poltrona? O mesmo exercício vale para outros profissionais, como o fotógrafo, que usa técnicas jornalísticas e de fotografia para cobrir acontecimentos cotidianos porém assina suas fotos com a própria criatividade e forma de ver o mundo.

Além disso, neste mesmo trecho do livro, ampliado em outras passagens, Wilde defende o conceito da coexistência. O belo está ao lado da utilidade das coisas e da sua expressão e atitude artística. Isso quer dizer que as coisas belas são belas porque têm uma utilidade, porque expressam a verdadeira cultura de um povo, porque são autênticas e representam a atitude de seus criados. Assim, existe o belo produzido na Itália, que não será e nem deverá ser o mesmo belo produzido no Brasil. Uma beleza não invalida a outra.

A partir do conceito de coexistência, ainda se pode discutir o preconceito cultural. Com a passagem dos anos novas expressões culturais vão surgindo e com elas novos conceitos e visões do que é belo. Essas manifestações são vistas pelas anteriores, e isso ficou claro em muitos momentos da história, como menos legítimas. O contrário também se faz verdadeiro, quem chega tende a invalidar o que já existia. Oscar Wilde, de certa forma, defende a coexistência e até mesmo a mistura entre todas essas manifestações.

O preconceito cultural, muitas vezes, está enraizado na dificuldade de entender o conceito existente. Quando um designer cria a identidade de uma empresa, por exemplo, esta marca, fruto da sua concepção técnica e criativa, estará inserida num contexto histórico, político, social, econômico e cultural e deverá conversar com seu público, sem ruídos. Este contexto sofrerá constantes alterações e esta marca precisa manter-se inteligível, adaptando-se a essas mudanças, sem perder a sua base conceitual, aquilo que justificou a sua criação e existência.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

E, só por hoje, o resto é o resto


Por Juliana Ramiro

Sempre fui uma aluna problema, não por ter notas ruins ou por ser malvada, brigona, mas por ser inquieta e questionadora. Fazer com que eu passasse a tarde inteira pintando um elefante nunca foi tarefa fácil. Sempre dava um jeito de dar o meu toque artístico e terminar a indigesta atividade em 5 minutos, afinal, mesmo quando se é criança, a vida segue sendo curta.

Essas são as minhas palavras de ordem - a vida é curta para perder tempo. Isso incomoda, tanto a mim como aqueles que convivem comigo e não caminham com a mesma agilidade. Hoje sou uma pessoa problema.

Uma pessoa problema do tipo que se destaca. Sou leonina, valorizo meu ego e cuido da minha juba desalinhada, mas não é daqui que vem o reconhecimento verdadeiro, sei disso. Ganho destaque por ser uma eterna inconformada. Sou a algoz do meu próprio descanso e sempre acho que cabe um pouco mais de conhecimento e trabalho. A eterna busca por "sei lá bem o que" amplia minha inimizade com a balança e as vezes que preciso visitar médicos variados.

"A dor e a delícia de ser o que é" é, sem dúvida, uma frase pronta que explica muito coisa e faz todo sentido pra mim. Hoje, ao atualizar meu perfil no Linkedin, veio-me na boca um gosto delicioso de ser quem eu sou.

E, só por hoje, o resto é o resto. Obrigada diretora Ângela Guimarães por me servir esta doce sobremesa.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A curta história do amor que transbordou

Por Juliana Ramiro

O dia não era belo, mas me trouxe tantas coisas belas que passou a ser. Assim, um belo dia passei a ter um par de grandes olhos, de um preto-branco vivo, olhando para dentro de mim. Não eram meus, mas acabaram como. Também já não eram mais teus, mas não brigamos por posse.

Brigamos por muitas outras coisas, que apontavam para uma mesma - caber. E a gente foi se 'cabendo' até não caber mais. E tudo que não cabe transborda e transbordou.

E hoje a gente vive transbordando desse 'nosso jeito nosso' de sentir amor.


                  "Você me achava meio esquisita
                        E eu te achava tão chata"

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Feliz Aniversário!


Exatamente hoje não, mas por convenção, neste mesmo dia, há dois anos, veio ao mundo uma das minhas maiores paixões. A bonequinha cabeluda, que a “tiarada velha" esperava para ver quem segurava primeiro, no colo de quem ela ficava mais tempo e todas essas coisas de família simples que faz tempo que as crianças cresceram, havia nascido.

Já fui muito menos sensível que hoje, e naquela época era dura na queda, não era qualquer coisa que me fazia chorar. Porém, olhar-te, aquele bebe pelado, branquelo, tentando abrir os olhos e pensar que eu, além de irmã, era tua dinda, fez-me chorar. Aquele momento ficou nas minhas memórias como a cena mais linda que meus olhos presenciaram.

E naquele momento chorei pela beleza do instante e por me sentir um pouco responsável por ti, por imaginar quantas "crueldades" acabarias por descobrir quando ficasse maior, quantas alegrias terias e quantas desilusões também.

Lá, na maternidade mesmo, jurei para mim que nunca te mentiria, mesmo quando viessem as perguntas que todo adulto não sabe o que responder. Hoje, um pouco afastada pela minha falta de tempo e a distância entre as cidades que moramos, não consigo acompanhar de perto o teu crescimento, no entanto, o sentimento não se faz menor, nem ele, nem o meu "sentir-me responsável".

Hoje, tens dois aninhos, e já sabes que existem coisas boas e coisas "uuuimmm". E pra mim, o que é realmente "uuuimmm" é não estar tão perto para acompanhar tuas descobertas. Sorte que a tecnologia nos aproxima, e, pelas fotos de um e de outro, vejo o quão rápido o bebê vai virando mocinha, e de mocinha mulher....

E meu texto, que era um cartão de aniversário, virou pedido de desculpa, que talvez leias um dia, e talvez entendas o meu amor e a minha pressa. Mesmo de longe, tua mana-dinda acompanha teus passos e admira teu jeito leve, doce e sábio de levar a vida. E está aqui, sempre aqui, por perto, para te ajudar a entender cada detalhe de cada coisa do mundo.



Feliz aniversário!

Juliana Ramiro

quinta-feira, 2 de maio de 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Nada



Por Juliana Ramiro


Juntei minhas coisas e fui embora
A mala vazia
Não existe nada que não seja nosso

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Onde está o amor?


Por Juliana Ramiro

O amor está no gesto de dar as mãos
O amor está no abraço
Está no sorriso
No andar lado a lado


O amor está num domingo em família
E num dia de trabalho
Está no diferente
E no respeito ao diferente


O amor está no vento
E num dia de sol
Está na chuva
E num banho de mar


O amor está na intimidade
E no brilho dos olhos
Está no blues
E na poesia


O amor está no teatro
Está na diversão
Está no desenho


O amor está aqui
Está no mundo
O amor está onde deixamos que esteja



sábado, 20 de abril de 2013

O poeta, o sapo e o prato do dia



O Centro - na região da Demétrio, da Fernando Machado e da Borges de Medeiros é o MELHOR lugar para se viver em Porto Alegre. Aqui as pessoas ainda gostam uma das outras, ainda existe bom humor, companheirismo e serviço de qualidade com preço justo. Hoje, tive mais algumas provas disso. Perdi minha chave e o chaveiro foi muito atencioso, deixou a banquinha e foi ajudar na mesma hora. Não tive que agendar visita, e ele ainda deixou que pagasse depois, coisa de cidade do interior - "passa lá na banca e acerta". Quando passei para acertar, vi três livros escorados no vidro da banca, eles eram do mesmo autor - Edison da Silva Boeira. Gostei tanto do atendimento ali, que pedi um cartão para ligar quando necessário e recomendar o serviço. Tive uma surpresa. O nome impresso no cartão era o mesmo do autor do livro e, na hora de ir embora, o chaveiro-escritor me disse: Vi que estavas olhando meu livro, leva esse para ver se te agrada. Ganhei o livro e o resto do dia.

Na sequência, fui almoçar no Rei da Picanha, lugar simples, que picanha mesmo quase não tem, mas PASMEM, o garçom usou um paninho branco - realmente branco - para limpar a mesa, com um produto que deixou o ambiente cheiroso. Depois ainda me trouxe a melhor farofa do mundo. Comida perfeita e, entre duas pessoas, deu menos de 10 reais para cada.

Antes de tudo isso acontecer, o zelador do meu prédio, às 8h da manhã, foi até a casa dele procurar uma chave reserva do meu apartamento, depois seguiu me ajudando nessa busca e, umas 10h, quando nos encontramos pela rua, atencioso, perguntou se eu tinha encontrado. O zelador é o mesmo que vem aqui, arruma tudo que precisa de elétrica, hidráulica, pintura e, quando pergunto o preço ele me diz: Ah, me dá só um trocado.

Lugares e pessoas como as que vivem e trabalho nesta região do Centro de Porto Alegre merecem inúmeros trocados por valorizarem o lado humano das relações.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

De cara nova: Rádio Falando de Amor muda site e sua marca para 2013



A Rádio Falando de Amor surgiu de um sonho que rapidamente se tornou uma linda realidade. Tendo sua primeira transmissão em julho de 2012, o projeto, nestes oito meses de vida, foi ganhando membros, parceiros, ouvintes e hoje, o que era uma iniciativa pessoal se consolida como projeto cultural, com mais de 15 locutores, 24h de programação, parceiros importantes e cada vez mais ouvintes apaixonados pela RFA.

Digo que sou a diretora deste projeto, mas, na verdade, não me sinto assim. Para mim, é como se fosse a capitã de um time repleto de estrelas que, dentro das suas áreas de interesse, trazem, de um jeito diferente e inovador, mais cultura para a população de Porto Alegre e onde a internet permite chegar.

Mudar é preciso!

A migração do nosso site para uma plataforma mais ampla e seu novo visual vem de algo que para mim é como lema: Mudar é preciso! Nada é bom o bastante que não possa ficar melhor. Ao longo dos meses em que a rádio está no ar, buscamos ouvir as pessoas, entender o que tínhamos de bom e onde poderíamos melhor. O site e a nova identidade visual surgiram da compilação de tudo que apuramos, formal e informamente, com aqueles que, de alguma forma, fazem parte do projeto. Solucionamos velhos problemas, provavelmente criamos outros (risos) e novas possibilidades de conteúdo.

Para 2013, fica o compromisso de ser e fazer ainda melhor. A Rádio Falando de Amor, carinhosamente apelidada pelos seus ouvintes de RFA, tem sonhos ambiciosos. Fica, também, meu agradecimento a todos que caminharam, caminham e ainda caminharão ao nosso lado. Agradeço, de forma especial, a Cris Jagmin, da StudioDess, que foi nossa parceira no desenvolvimento deste site, a Dani Lima, da iNove Comunicação e Marketing, por todas as figurinhas trocadas, a Deb Xavier, do Jogo de Damas, pelas oportunidades e conselhos, a Lívia Lampert, da Agência Linea Comunicação, pela paciências e apoio, a Fabíola Dambrós, da Aika Sul, pela assessoria e carinho, e a Natalia Almeida, pela organização e os braços que me faltam neste projeto.


Texto publicado no lançamento do novo site e identidade visual da Rádio Falando de Amor. Conheça o projeto clicando aqui.

Juliana Ramiro
Capitã do time da RFA

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Perdi a inscrição para o meu primeiro concurso público

  



Por Juliana Ramiro

Título nada criativo, eu sei. E a verdade é que nem eu leria com vontade nada que tivesse concurso público e inscrição no título. Palavrinhas que não me enchem os olhos. No entanto, se você chegou até aqui, dê-me a chance de mudar sua impressão sobre o que virá a seguir.

Tenho aversão a concurso público. E não, não sou uma pessoa frustrada por não ter passado – nunca me inscrevi. (Já surpreendi?) Também não tenho amigos que perderam a vida estudando para o grande concurso... e nada. Meus amigos que curtem essa brincadeira, todos eles, já estão empregados.

Tenho aversão a concurso público, assim como tenho dificuldade de lidar com oito horas diárias, bater ponto, crachá, cabelo com gel, óculos sem armação, terno e gravata para vender seguro de vida.

Não sou da anarquia. Sou do tipo que prefere trabalhar a noite, mas que chega sempre no horário, nunca atrasei um ponto. Trabalhar com roupa leve facilita a minha boa vontade, fecha o cerco da má, e me dá muita vontade para encarar 8, 12, 24h de trabalho para realmente entregar um bom trabalho. Porém, se manda o figurino, eu sigo. Mesmo sendo contrária a tantas convenções profissionais, que dizem muito para os de fora, e pouco para o próprio trabalho, entro no sistema e me adapto facilmente.

Mas o que gosto mesmo é encher a boca dizendo que trabalho demais, que ando sempre com pressa, que me falta tempo, que não tenho os equipamentos necessários, que vivo numa loucura. Isso tudo me faz avançar, querer mais, querer me superar.

Quem não gostaria da estabilidade de um concurso público? Claro que gostaria, contudo, isso significaria para mim estabilidade financeira e instabilidade criativa. Depressão criativa, para ser mais sincera. As coisas mais “likeadas” que criei foram as que construí aos 45 min do segundo tempo, quando todos duvidavam, porém, já se preparavam para aplaudir.

Do outro lado da realização profissional estão os relatos que ouço dos aprovados em concursos públicos. A história é animadora - do período de estudos ao listão do resultado. E só. Do trabalho mesmo, nunca ouvi relato que não acabassem em inúmeras expectativas indo pelo ralo.

Perdi a inscrição para o meu primeiro concurso público. Que bom. Sinceramente, não me sinto preparada para abdicar da paixão que tenha pela minha profissão, e encarar tarefas públicas e administrativas.

Eu não nasci para isso.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Desabafo em mais um dia de chuva em Porto Alegre

Av. Nilópolis, por Samuel Almeida - Imagem divulgada na fanpage oficial da Rádio Gaúcha

MATÉRIA:

DESABAFO:
O problema não são as vias, nem a falta de estrutura, são as pessoas. Afinal, elas se vitimam quando se arriscam saindo de casa, segundo diretor-presidente da EPTC. De acordo com Juliana Ramiro, nas urnas, essas mesmas pessoas vitimam seus conterrâneos, trocando votos pela SUA rua asfaltada. Desejo, profundamente, que o egoismo tão bem asfaltado dessa gente, um dia, não ponha mais em risco as estruturas da cidade de Porto Alegre, e que possamos ter obras eficientes, que beneficiem a todos. Chega de operação TAPA BURACO. #CAOSEMPOA

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O desafio maior é admitir-se falho e manter o brilho no olho



Por Juliana Ramiro


Para mim, empresas nascem de sonhos. E nossos sonhos se tornam reais quando realmente conseguimos amá-los. A Rádio Falando de Amor nasceu assim. Sou jornalista por profissão e sonhadora por escolha de vida. E que me perdoem os mais técnicos, mas tem um momento decisivo que toda empresa passa, quando está no meio da estrada, e a nossa decisão a conduzirá para o sucesso ou fracasso. Essa escolha tem a ver com o amor. Realmente estamos dispostos a nos dedicar a esse sonho? Somos capazes de superar os dias mais críticos e seguir plantando para colher adiante? Óbvio que não devemos abdicar da racionalidade, mas, o determinante na minha decisão foi o quão apaixonada estava pelo meu projeto.

Fiz essa escolha logo nos primeiros meses do projeto - e acredito que, vez que outra, terei que repetir a dose. O volume de trabalho é grande, o retorno é pequeno e temos que lidar com a sensação de que quanto mais a gente faz, mais terá a ser feito. Um ciclo interminável e vicioso de trabalho, exaustivo e apaixonante. Se meu sentimental não tivesse mergulhado comigo nessa, não teria as próximas linhas deste texto.

O primeiro passo para tirar um empresa do campo das ideias e fazer dela um negócio é admitir que não sabemos tudo, que não vamos dar conta e que, sim, precisamos de ajuda. Para mim esse foi o passo mais difícil. Olhar para dentro e admitir meus pontos fracos e captar pessoas para suprir tais necessidades. É melhor dividir e ganhar do que perder sozinho.

O segundo passo é saber a hora certa de entrar no jogo. Planejamento é fundamental. Isso aprendi “tomando na cabeça”, como dizem os surfistas. Montei a rádio, vi fornecedores, estruturei o site e fiz a primeira transmissão em uma semana. Os dois meses seguintes foram de pura loucura, planejar algo depois de lançado é muito mais penoso. E, se tratando de uma rádio, os erros ficam escancarados para quem estiver ouvindo. São problemas técnicos, de software, hardware e de pura falta de planejamento. Deixei escapar clientes por, simplesmente, não ter pensado em valores, estratégias e definições técnicas. Gastei mais do que precisava, por mudar três vezes de fornecedor, até chegar à transmissão que estivesse de acordo com as necessidades do meu negócio. Precisei organizar processos, recebimento de materiais, criar parcerias, montar redes para o negócio, movimentar os canais de comunicação com os ouvintes, tornar o produto atraente e, tudo isso, com a rádio funcionando, 24h no ar. Nem cartões de visita eu tinha e a Rádio já estava com 100 acessos diários. Noites sem dormir, surtando sozinha, até que sentei com minha sócia (aqui já tinha admitido que precisava de uma) e coloquei tudo no papel. Uma sócia com perfil diferente do nosso ajuda mais do que alguém que seja nossa cópia, acreditem.

E aqui identifiquei o terceiro passo. O papel. Eu não tinha registro de nada. Até hoje não entendo como as pessoas abraçaram a rádio comigo e como os primeiros locutores não perceberam a furada que estavam se metendo. Era tudo de boca. Enquanto éramos três bocas, eu conseguia organizar, quando chegamos a cinco, senti-me obrigada a ouvir minha sócia e fazer apresentações formais da rádio, contratos de anunciantes, guia de processos para os locutores, manuais dos programas de edição. Isso facilitou o trabalho e hoje, com mais de 15 locutores e o time crescendo a cada dia, tenho certeza de que o papel salvou a minha vida e do projeto.

O quarto passo é não prostituir o trabalho – ou prostituí-lo para as pessoas certas. Parceiros são ótimos, mas é decisivo que a parceria seja fundamentada na troca. Se você ganha com um parceiro, ele tem que ganhar com você – e a recíproca deve ser verdadeira. Essas são as parcerias mais saudáveis e que rendem os melhores frutos. Entenda o que seu parceiro precisa e não tenha medo de pedir o que realmente é importante. As parcerias de que falo devem ser feitas, também, com seus clientes, aquelas pessoas que você conversa, que dão dicas, que trocam ideias, os grupos de “estudo e apoio” – e aqui entra, de forma muito especial, o Jogo de Damas. Todos são parceiros fundamentais.

O último passo é não perder a paixão que fez você apertar o “play” de tudo isso. Sem ela o caminho fica mais cinza, mais difícil e menos prazeroso. Aceite sua empresa como um filho, mas não seja uma mãe coruja, incapaz de ver os pontos fracos deste filho. Uma mãe realista, que não deixa faltar amor, colabora muito mais no crescimento do piá. Ah, e tenha certeza de que seu brilho no olho convence as pessoas de que estão diante de algo verdadeiramente interessante. Não esqueça disso no caminho!

Hoje, a Rádio Falando de Amor, está com cinco meses de vida, mais de 300 acessos por dia, 15 programas selecionados “a dedo”, locutores-parceiros, ouvintes-parceiros, anunciantes-parceiros e parceiros-parceiros, que fazem todo esforço valer a pena.

PS. Espero que meus erros e acertos possam ajudam empreendedoras que estejam começando, possam provocar saudade naquelas que hoje já consolidaram seus negócios e trazer esperança àquelas que abandonaram seus sonhos.


“Amar não é brega, não é ‘mimimi’, amar é vital” (trecho da apresentação da RFA)



* Texto escrito para o blog do Jogo de Damas - comunidade crescente de mulheres empreendedoras que amam os desafios do dia a dia e que querem fazer a diferença.




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eu quisera (uma adaptação)



Por Juliana Ramiro



Eu quisera entender teus códigos
E reconhecer teus limites

Eu quisera não precisar das tuas palavras
E, por vezes, saber não ouvi-las

Quisera receber-te de forma incondicional
E saber me respeitar um pouco menos

Eu quisera trair a mim
E proteger o que é nosso

Eu quisera que tivéssemos nascido um
Ou que não morrêssemos por ser dois

Eu quisera pensar no teu melhor
E que conhecesses o meu

Eu quisera padronizar minhas emoções
E me entregar de jeito óbvio

Eu quisera peneirar meus sentimentos
E transbordar só o que te agrada

Eu quisera não ser eu
E quisera não te ver partir



“O inverno vai passar, e apaga a cicatriz”




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Marque um “x” e garanta já o seu diploma


Por Juliana Ramiro

Aula de teorias da comunicação. Professor chega, faz cara de sacana, a chamada, põe o saco de provas junto ao peito, vai para frente do antigo quadro negro, hoje atualizado para branco, e espera o fim do alvoroço para passar as últimas informações antes de eu sentir minha formação entrando pelo cano.

Palavras dele: prova objetiva, são cinco questões, cuidem os “pega ratões”, não olhem para os lados, não colem, a prova é rápida, porém vocês não podem terminar e sair, esperem meu sinal. Só não levantei e fui embora porque olhei para os lados e vi que meus colegas jornalistas pareciam conformados com aquilo que, para mim, era mais que um absurdo. Fiquem com a maioria, fazendo meu próprio advogado do diabo.

Para que serve uma teoria? Para que serve uma prova objetiva com “pega ratões”? Afinal, para a avaliação de um professor universitário o que interessa mais é o quanto eu não sei de um conteúdo? Ou, ainda, o quanto consigo decorar e estar tranquila no momento da prova para não cair num obstáculo pouco teórico?

O conteúdo da prova, em folhas de xerox, chegou a mais de 200 página. Tratando-se de teorias, umas cinco. Considerando-se a aplicação desse conteúdo, igual a zero. Do que me adianta decorar uma teoria sem ter um acompanhamento na sua aplicação? Esse é o tipo de coisa que a gente não aprende lá fora, no mercado. Jornalista que não se tornar pesquisador vai morrer sem fazer a aplicação de uma teoria, ou, no mínimo, aprender no período da monografia o que não viu na formação inteira. Para mim, está tudo errado.

O valor de aprender uma teoria está no quanto a gente consegue aplica-la, não?! Simplesmente falar sobre teorias tem algum valor curricular? Teoria boa é teoria citada. E aqui uso aspas de mim mesma, pois acredito que minha forma de ver o ensino é, no mínimo, mais adequada que a utilizada nesta disciplina. “Professor preguiçoso, profissional pobre” (isso daria um título de livro), lamenta Ramiro (2012), que está no último ano da faculdade de jornalismo e não esperava ter esta última decepção pré-formatura.

Ei, Famecos, avancemos no processo de educação como na evolução do quadro negro. Superemos o negro, avancemos o verde, cheguemos ao branco, ensinemos a pensar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A gente só sabe a importância de um mecânico quando perde um amigo




Por Juliana Ramiro


A Max Motos, sem o Max, fica literalmente só motos. Essa foi a sensação que tive ao entrar na oficina onde levei minha primeira moto, há anos e, mesmo me mudando três vezes de endereço, e trocando algumas vezes de moto, lá sempre foi a minha oficina. Não sou uma consumidora fiel, seguidora de marcas, sou uma apaixonada por pessoas.

O Max me ganhou logo na primeira visita. Meu mecânico era prepotente, mas aquele tipo de pessoa que pode ser, por simplesmente ser. Nunca saí de lá sem respostas, sem broncas e sem rir muito do jeito dele, do meu e das soluções imediatas para tudo. Eu era uma curiosa com o cara mais disposto a ensinar que já conheci. Colocava minha moto no “elevador” e me apontava tudo, cada coisinha. Na cabeça dele, eu precisava entender tudo, para saber como me comportar em caso de alguma emergência.

Ele era como eu, adorava problemas pela oportunidade de encontrar a solução e ganhar uma salva de palmas. E quanto isso custava? O justo. O resto, o show todo, ele fazia com gosto. Dava pra ver nos seus olhos o amor que tinha pelas motos, pelo trabalho. Vivia ali e, mesmo sendo o chefe, estava sempre sujo de graxa e fazia questão de mexer na minha moto. Eu o via como o oráculo da oficina. Não sabe? Pergunta para o Max. E trate de manter as ferramentas no lugar, ele odeia bagunça.

Como um pai, ficou “p” da vida quando teve que me buscar em Canoas, com a correia da moto trancada na roda no meio da BR. Não me cobrou nada, mas veio o caminho inteiro e o tempo que colocava a correia no lugar me dando bronca porque eu não tinha lubrificado a correia, porque não estava fazendo a manutenção direito, por tudo que podia ter acontecido. Quase uma hora de bronca, moto pronta, em posição de partida, Max me entrega o capacete, a chave e, como de costume, diz: dá-lhe pau!

Quando finalmente decidi trocar minha primeira moto, comprada sem a supervisão do Max, ele foi o primeiro a querer ajudar, fez uns três telefonemas, ajudou a escolher, trouxe a moto nova, o financiamento, vendeu a minha lata, como dizia, e cuidou de todas as revisões.

Quando vendi fiquei um ano sem moto, sem aparecer na oficina, sem o Max. Comprei meu brinquedo mais recente e a primeira revisão fiz questão que fosse com ele. E ele estava lá, no mesmo lugar, lembrava meu nome e me entregou a moto impecável, como sempre. Lembro que quando deixei lá ele tinha dado uma saída, porém, quando voltei para buscar ele que me entregou e fez questão de me dar mais uma bronca. A pastilha do freio estava quase no ferro. Max me disse: “Mandei trocar, vai dar uns 60 reais a mais. Paga que é para tua segurança, não ia te deixar sair daqui com o freio naquele estado”. Paguei, levei a moto, e saí de lá com o coração apertado.

Max não tinha mais a mesma vitalidade, estava magro, caminhando com dificuldade. O brilho no olho era o mesmo, mas o brilho da vida não mais. Hoje, fui trocar o óleo e tive a resposta que não queria, a uma pergunta que demorei quase todo o tempo que tive por lá para fazer.

Busquei o óleo e não tinha ninguém para me indicar qual era o melhor e mais em conta. Quis trocar a viseira do meu capacete e não tive ninguém para dar um pitaco no modelo, cor, investimento. Onde estava o Max? O Max não está mais aqui, faz dois meses. O tempo quase que exato da última vez que apareci por lá. Nosso último encontro foi uma despedida. E vendo a Max Motos, sem seu personagem mais ilustre, o Max, pude entender a importância de um mecânico, do meu mecânico. Perdi um amigo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta para um, que cabe no bolso de todos



Por Juliana Ramiro

O meu imediatismo agrada, ou ao menos o contrário te irritava nas outras pessoas, que até hoje sonham com um dia, quem sabe, fazer alguma coisa da vida. Tens medo de arriscar, pois não se permite errar e, por isso, sempre optou por pessoas que tivesse nas mãos, fazendo algo pra isso ou não.

Agora o brinquedo é diferente, merece uma dedicação maior. A insegurança que deveria te deixar alerta, deixa-te acanhada. Afinal, não foi alguém com iniciativa que tanto quis para tua vida? Isso tem um preço. Tudo tem um preço.

Entendo que não saibas lidar comigo, com essa insegurança. Hoje te amo, no dia seguinte vou seguir amando, porém, tenho uma única vida para ser feliz e milhares de possibilidades de caminhos para buscar isso. Para que, afinal, ficar meio feliz esperando dias melhores? Já viveste a morte tão de perto e ainda não consegues compreender o imediatismo da vida.

Comigo não é acomodação, meio isso, meio aquilo, comigo é felicidade plena - pra nós. Sei que existirão dias ruins, dias bons, e frente a isso, no mínimo, espero que driblemos as dificuldades de forma maestral, num verdadeiro espetáculo.

Sim, como tu sempre dizes, eu gosto de palco, de ser observada, recordada, aplaudida... e não me conformo em viver na plateia da tua vida.


É esse, realmente, o espaço que mereço ou tens medo de me dar mais?