Li uma crônica do Carpinejar que é o tipo de texto que seu efeito costumo relacionar com uma partida de futebol para quem perdeu a forma e há muito não joga. O cansaço vem logo nos primeiros instantes, mas a dor, a dificuldade de caminhar, de se mexer, o arrependimento de ter ficado tanto tempo parado ou de ter entrado nessa aventura de novo vem sempre com 48 horas de atraso.
O texto do Carpinejar defende a teoria de que nós assassinamos o amor. O amor nasce para ser infinito, mas nós, no dia-a-dia, com palavras erradas, gestos mal interpretados, atitudes mornas ou quentes demais, é que determinamos seu fim. Logo nas primeiras linhas do texto do autor já veio o desconforto, mas, a dor de ter lido tal verdade atingiu seu ápice passadas 48 horas, quando um forte sentimento de culpa bateu na minha porta.
Quantos amores lamentei que tivessem chegado ao fim?! Algumas vezes, acreditei que era a velha história da pessoa certa na hora errada. Mentira. Agora a ficha caiu, olho-me no espelho e vejo uma perfeita serial killer e tenho até um modus operandi . É sempre do mesmo jeito, nunca é diferente.
Sei exatamente como matar o que trago no peito e quando me dou conta estou construindo a mesma teia. É genético, as mulheres da minha família há algumas gerações agem do mesmo jeito. Somos feito aranhas, sempre construímos a mesma teia.
Alguns me recomendariam terapia. Desculpa, mas embora sofra com minha herança genética, tenho certo apreço por ela. Não fazemos mal a ninguém além de nós e o amor. Mas quem nunca assassinou um amor que atire a primeira pedra. E meu texto termina aqui. Sou réu confesso, contudo, sem mais.
Dia de chuva bate aquela melancolia e a nostalgia me assola. Gosto de lembrar o passado e utilizo meus livros para recordar minhas próprias histórias. Depois de assistir um pouco de TV resolvi sentar na frente da estante de livros e buscar nas minhas anotações e inúmeras páginas dobradas algo que já tivesse lido, gostado e que voltasse a conversar comigo. Entre os livros achei Teresa, de Manuel Bandeira. Ahhh, Teresa, por muito tempo achei que não existiam pessoas como tu, ou que eu, infelizmente, nunca conseguiria me apaixonar por alguém assim. Para quem não conhece os versos de Teresa, aqui estão:
“A primeira vez que vi Teresa Achei que ela tinha pernas estúpidas Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo (Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada Os céus se misturaram com a terra E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.”
Para mim o difícil de ter uma Teresa sempre foi resistir os primeiros olhares. Perceber seus olhos velhos, suas pernas estúpidas e mesmo assim lhe dar tempo. Tempo para que pudesse misturar meu céu e minha terra, mexer nos meus sentidos, trazer-me a paz e, junto, uma história sobre águas claras e tranqüilas.
Sempre achei que para ser amor tinha que ser forte, avassalador, quente demais, dolorido demais, apaixonante demais. Mas só quando se dá espaço a uma verdadeira Teresa é que se descobre que a tranqüilidade e amor, na maioria das vezes, caminham juntos.
E se descobre que o amor nem sempre acontece quando pousamos nossos olhos sob a pessoa mais bela, a mais emocionante, a mais cheia de mistérios, a que nos tira mais do sério logo que a conhecemos. Pessoas assim, nas experiências que tive, mostraram-se Teresas ao contrário. Num primeiro momento, diante dos meus olhos pareciam anjos, seres de outro esfera, capaz de mexer com a terra, o céu, o ar, tudo. Num segundo momento, cometem um deslize que ainda não estamos aptos a perceber, pois ainda estamos sob o efeito do primeiro contato. Da terceira vez que estamos diante dessas falsas Teresas, seus olhos penetrantes e pernas celestiais dão espaço a atitudes estúpidas.
Não sei se todos concordam comigo, mas a vida me ensinou que mais vale darmos tempo a Teresas de olhos velhos e pernas estúpidas para que atinjam e deixem nosso coração em paz, do que apostar em falsas Teresas que nos cativam com a beleza porque por dentro não têm mais o que nos oferecer.
Saudações a todas as Teresas que existem no mundo. E aqueles que sabem apreciá-las.
* Texto lido no programa Eu tô falando de amor, da rádio 2 IGUAIS, dia 14/03
Quem nunca amou ao menos uma mulher na vida? Posso dizer que amei algumas. Não sou feminista, não sou a favor de comparações entre os sexos, este texto é uma extensão daquilo que venho sentindo desde antes de vir ao mundo, quando me apaixonei pela primeira vez e pela mulher mais importante da minha vida: minha mãe.
Abdicar de noites de sono, do corpo naturalmente perfeito, se permitir engordar, inchar, desequilibrar e gerar. Servir de casa, de abrigo para um novo ser que vem ao mundo. Se Deus assim o quis, é por que só a mulher seria capaz de desempenhar este papel com tamanha maestria. Mesmo com todas as dificuldades do dia-a-dia desta missão sei que ela me amou e eu a amei desde o primeiro instante que nos tornamos uma a realidade da outra.
Depois, nos primeiros anos de vida, descobri que existia outra mulher pela qual estava de quatro. Seu jeito doce, compreensivo, de quem já passou por um bocado de coisas na vida e saberia me entender e aconselhar sempre que eu precisasse de ajuda, deixou-me encantada. Tenho muitas lembranças felizes com meu avô na infância, na adolescência, agora, deitar no colo da minha avó e receber sua mão trêmula, indo e vindo nas minhas costas, foi, certamente, uma sensação única, da qual morro de saudade.
Depois vieram outras mulheres. Minhas tias, elas eram as mulheres que eu gostaria de ser quando crescesse. Determinadas, engraçadas, estudiosas, elas me ensinaram a amá-las e amar estar na companhia delas.
Tenho certeza que amei minha primeira babá. Ela podia ter alguns muitos defeitos, mas paciência era uma das suas maiores virtudes. Com ela aprendi a gatinhar, a dar meus primeiros passos, comer alimentos diferentes, crescer. Eu a amava por tudo isso e, também, por que ela me matinha entretida, até que a mulher da minha vida voltasse para casa, para mim.
Depois amei a minha professora do jardim. Lembro até hoje que ela chegava na sala de aula, tirava seus sapatos de salto alto, punha nos pés um chinelo Havaianas e sentava no chão para nos apresentar, todos os dias, um mundo novo. Depois dela, amei a professora que me ensinou a ler, que entendeu minha inquietude em saber mais, e sempre mais, e não fez disso um motivo para advertências. Amei algumas professoras que reconheceram e estimularam os meus talentos para por no papel aquilo que sempre tive dificuldade de fazer sair pela boca.
Amei algumas amigas, que pude contar em momentos decisivos de minha vida. Admirei mulheres que, mesmo em tempos difíceis, riscaram seus nomes na história, na minha história.
No ano passado, amei a primeira mulher que não fez esforço algum para que nascesse esse sentimento dentro de mim. Lembro que foi amor a primeira vista, eu a vi, enchi meus olhos de lágrimas e soube que era para sempre. A Vitória, minha irmã-afilhada, despertou e vem despertando em mim uma nova modalidade de amor.
Sei que o lugar dessas mulheres que amei, e amo, poderia ter sido preenchido por homens. Mas tenho plena certeza que seria totalmente diferente. Para mim, uma pessoa é capaz de passar a vida inteira sem amar um único homem, agora não existe quem não tenha se visto amando uma mulher.
*Texto lido no programa EU TÔ FALANDO DE AMOR, na rádio 2 Iguais, do dia 8/03, em homenagem ao dia internacional da MULHER.
Sou a pessoa de férias mais ocupada que já existiu, por isso mesmo aparentemente desocupada não consegui parar para escrever antes. São novos trabalhos, novos projetos, novas tecnologias, novas pessoas, novas experiências, e o mesmo corpo de sempre. A onda que trouxe todas essas novidades e que me deixou quase um mês colocando tudo no lugar começou quando contava os minutos para sair de férias.
Dia 20 de janeiro, sexta-feira, último dia de trabalho antes de 20 merecidos dias de férias, chamaram-me para uma reunião “tensa”, com outros dez colegas, que resultou na minha demissão e na deles. Desespero de uns, alívio de outros, confesso que estava mais triste por perder a convivência com pessoas queridas, por deixar alguns trabalhos incompletos, por ver o sofrimento de quem tinha a empresa como meta futura, do que triste por estar desempregada. Não chorei, não me desesperei, sempre tive aquela instituição como um degrau para alcançar os meus altos sonhos profissionais.
Nem só de altos sonhos profissionais se preenche minha cabeça, que como sempre disse minha mãe, não pára nunca. Tenho sonhos grandiosos em todos os setores da vida. Uma grande viagem, uma grande mudança, um grande amor, uma grande família, uma grande mestre de uma grande universidade, um grande retiro espiritual, uma grande contribuição para a humanidade. Sim, todos esses gigantes vem e vão na minha cabeça, quase que o tempo inteiro, e dão forma ao meu presente, deram no passado e estão nas metas para um futuro próximo, talvez distante.
Quem convive comigo sabe que seguido estou com os olhos perdidos em algum lugar distante, mas dentro de mim. Deixo o destino me mostrar o que ele reserva, porém em cada caminho já chego com um grandioso plano de ação. Não sou do tipo que agoniza por falta de rumo. Plano A, plano B, plano B do B. O importante é ter opções. Triste é apostar todas as fichas num caminho só, e ver este caminho sumir do mapa, levando nossas fichas e boa parte da nossa sanidade.
Muitos dos meus planos são considerados loucura, muitos nem mesmo meu travesseiro conhece. Enquanto algumas pessoas estão forrando seus guarda-roupas para ter uma veste para cada ocasião, estou forrando meus arquivos para ter uma opção de vida para cada vez que reabrem as cortinas e um novo show se inicia.
É bom finalmente ter um tempinho de passar por aqui e colocar umas idéias na rede. Agradeço pelas cobranças de novo post que recebi, tais gestos mostram que tenho quem me leia. Agradeço mesmo, de coração.
Mas vem cá, o que significa para você estar com a mala pronta? Quando era criança, uma mala pronta me deixava imensamente feliz. Minha família nunca fez grandes viagens, mas o pouco dinheiro que economizávamos o ano inteiro, passado o natal, garantia nossas malas prontas na frente da porta da sala: íamos veranear em Presidente, Mariluz, Imbé, Tramandaí. Certa vez fizemos as malas no inverno, naquele ano conheci a Serra Gaúcha e o Natal Luz. Meus olhos infantis nunca tinham presenciado tamanha iluminação e magia. Refizemos mais duas vezes o passeio, até o tempo regular minha retina e dar um banho de realidade na luz de Gramado e a deixar quase sem brilho.
Com uns seis anos, além das malas na porta, encontrei toda nossa mudança. Estávamos, eu, o Rafa e meus pais, indo para a casa da frente. Mais uma mudança feliz. Era uma casa maior, “de material” e eu teria um quarto só meu. Era o começo do meu mundo, do meu desejo de ter um pedaço de terra em que o que fosse dito por mim era lei. Nessa época comecei a aprontar malas menores para passar finais de semana na casa das tias, dos amigos, da vó. Lembro que a função de pensar em tudo que iria precisar e ter o cuidado de não deixar nada para trás, além de fazer caber o máximo no mínimo espaço me davam uma sensação muito especial.
Com 18 anos, outra vez vi as malas prontas na porta da frente. Dessa vez, não eram nossas, minhas, eram somente do pai. Meus pais estavam se separando e lembro que essa foi a primeira vez que malas prontas não me pareceram algo bom, não estava feliz, tive medo. Com o passo do tempo pude perceber que aquelas malas, na época, podiam ter sido arrumadas com certa tristeza de todos, mas que, sem dúvida, passado o susto, todos estávamos felizes e prontos para as próximas malas que vinham chegando.
No mesmo ano, aprontei minhas malas e dei início a realização do meu primeiro grande sonho, aquele que nasceu com o quarto só meu na casa nova. Estava indo morar em Porto Alegre. Num primeiro momento, a mãe veio comigo, para se certificar que ficaria tudo bem, que eu estava pronta para dominar meu território, administrar o tão sonhado espaço onde faria minhas leis. E por quase cinco anos, com altos e baixos e muito aprendizado, mantive o trono e o reinado. Nesses anos fiz as malas algumas vezes para conhecer outros lugares, países, pessoas.
E nesse tempo todo, a sensação de grande felicidade ao ver uma mala pronta fez parte de mim, dos meus sonhos de criança às minhas realizações de recém adulta. Hoje, finalmente consigo entender o que de fato significam malas prontas para mim. Elas são o sinal de uma mudança. Mudança de casa, de estado civil, de ares, de emprego, de vida.
Sou aquele tipo de pessoa que onde pára cria raízes. Não sei ser meio amiga, meio profissional, meio proprietária, meio amante. Sou aquele tipo de amiga que abre a casa, que considera irmão, defende, faz planos, sonha junto. Sou aquele tipo de profissional que tem a mesa repleta de badulaques, que faz da empresa uma espécie de lar, que constrói laços e se esforça sempre para realizar o trabalho cada dia diferente, diferentemente melhor. Sou aquele tipo de proprietária que mexe no bem, deixa-o com um jeito próprio, propriamente meu. Sou aquele tipo de amante que participa, ajuda, quer conhecer cada pedaço, surpreender, entender coisas que até mesmo o ser amado não compreendeu sobre si mesmo.
Enfim, sou do tipo que entra no jogo para jogar, que sugere fazer o pão e coloca a mão na massa. E as malas prontas? Para gente intensa feito eu, as malas prontas significam uma rápida e indolor retirada. O mundo gira e minhas malas estão sempre prontas para girar com ele, comigo. Posso me dizer fácil de criar raiz. E posso dizer que minhas malas prontas sempre me levaram para uma realidade mais feliz.
E dessa vez e da próxima, e da próxima, e da próxima... NUNCA SERÁ DIFERENTE.
Meu blog normalmente tem um tom mais romântico, apaixonado... Desta vez senti necessidade de mudar um pouco o foco. Vou falar de amor, no entanto, do amor ao próximo. Amor fruto da educação, dos valores que fomos imersos quando crianças e jovens. Não é a primeira vez que leio “avatares” nas redes sociais criticando agentes de trânsito que se escondem para multar por excesso de velocidade, “metendo pau” na Lei Seca, comparando ela com a impunidade de um assassino. Frases como: “O cara bebe e é tratado como criminoso; o cara mata e consegue fugir” são recorrentes, revelando, no fim, um quadro de plena inversão de valores.
Enquanto trabalhei como instrutora de aspirantes a motorista, tentei, nos nove dias de aulas teóricas as quais são submetidos, passar para eles que o trânsito é construído por cada um. Enfiar a chave na ignição, acionar a mistura COMBUSTÍVEL + FAISCA + AR, engatar a primeira marcha e arrancar com o carro não são ações meramente químicas, motoras e mecânicas. Ingressando neste processo, o cidadão passa a ser responsável por todas as vidas que cruzarem sua frente, lados e costas.
O problema do trânsito está na dificuldade do ser humano de criticar o próprio umbigo. Olhar todo mundo olha. Agora, apontar, criticar, revolucionar é bem mais complicado. A maioria dos condutores quando recebe uma multa em casa logo pensa: “Quem foi o filho da “mãe” que me pegou, na certa ele estava escondido, como não o vi, vou recorrer, deve ter algo errado.” Dá para contar nos dedos quem recebe a multa e pensa: “Preciso avaliar minhas atitudes no trânsito, dessa vez minha imprudência só resultou numa multa, mas podia ter sido uma vida.”
Pagar quase mil reais de multa por ser pego dirigindo bêbado é muito caro? Você conseguiria pensar em quanto custa a vida das pessoas que ama? Mil reais será que paga a vida de um ser humano inocente? Ou será que sustenta a família que ficou sem sua principal fonte de renda e ainda vai ter que bancar infinitos remédios e tratamentos para manter um aleijado fruto da irresponsabilidade alheia?
Quem muito se preocupa com agente de trânsito escondido, o alto valor da multa por teor de álcool no sangue e tantos outros temas que rolar pela web, é porque está deixando de se preocupar com o principal. Se eu andar na velocidade permitia faz diferença se o agente está presente, escondido ou não? Se eu não dirigir bêbado faz diferença o valor da multa? Quem nunca cometeu uma infração de trânsito que atire a primeira pedra. Errar é humano, ser responsável pelo risco que expôs a si e aos outros é ser cidadão. Não persistir no erro é papel de todo cidadão consciente e educado.
O tal post do final do ano, neste ano, saiu um pouco atrasado, mas no momento certo. Antes de pegar a estrada e passar quatro dias maravilhosos com minha mãe e amigos estava mais preocupada em arrumar as malas e programar a melhor maneira de aproveitar o feriado do que fazer o balanço daquilo que o tempo deixou no passado. Já em casa, de volta ao trabalho e a rotina, sigo com algumas coisas que vivi nesses 4 dias indo e vindo na minha cabeça. Tais pensamentos me ajudaram a selecionar os pontos de partida daquilo que quero falar sobre 2011.
Amizade. Crescimento. Família.
Falando de amigos, posso dizer que foi um ano bem interessante. Conheci pessoas ótimas, renovei laços, refiz laços e me livrei de falsos amigos. Sigo com saudade dos que estão longe, e saudade dos que optaram por estar longe mesmo perto. Pensando nessas relações todas, já consigo perceber o meu crescimento. Perdoar um amigo e deixá-lo seguir suas escolhas, tendo plena certeza que aquela está longe de ser sua melhor opção de caminho eram atitudes que jamais imaginei ser capaz de ter, mas tive. Isso ainda me custa um pouco. Meu lado protetor grita frente ao erro e ao perigo. Fico com as pernas trêmulas, o coração apertado, triste, sem saber exatamente como me comportar.
Falando mais um pouco do meu crescimento, para os que acreditam em horóscopo, estou cada vez mais meu ascendente, o peixe. Meu sangue não ferve tanto, não tenho mais tanta necessidade de ser o rei da selva, não espero mais tanto das pessoas, desisti de esperar sempre uma recompensa e que os outros sejam tão firmes como eu. Acho que com os anos estou ganhando peso, cabelos brancos e um novo jogo de cintura. A repetição da palavra “tanto” e suas variações indica que ainda preciso evoluir mais.
Por fim, falando da minha família, quero agradecer pelo amor mas, acima de tudo, pela educação que tive. Hoje li um matéria que falava de um pai que, antes de morrer, entre várias iniciativas, escreveu uma carta para os filhos, com 28 lições de vida. De lá, destaco duas:
Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.
Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.
Como isso falta para as pessoas. Como tem gente que se sente menos e precisa avacalhar com os outros para se sobressair. Como tem gente rude, mal educada, que pensa que “é bonito ser feio” e que o mundo tem que agüentar porque “esse é o meu jeito”. Como tem gente sem noção, que não aprendeu nem a ser um bom vencedor, que dirá um bom perdedor. Para mim, isso tudo vem de casa e do quanto uma pessoa é capaz de crescer em cima da reflexão de uma lição. Então, agradeço aos meus pais por todas as lições dadas e ao meu cérebro e suas capacidades de entender tais ensinamentos e, de forma toda especial, pela sua capacidade de mandar-me respirar ao invés de falar.
Fecho esse post dizendo que minha frase para 2012 será:
Aprenda com quem tem mais, doe para quem tem menos.
“O nosso amor sumindo
Entre partir, ficar
Entre o norte, o sul
Cruzando sobre os raios
Antenas de TV
Porque você me olha
Se você não me vê
Sobre os oceanos
Em doces guerras frias
Não deixa anoitecer
Não deixa escurecer
O Nosso dia”
Cruzando raios. Estou há dias com essa música na cabeça. Ninguém me agüenta mais. A canção é velha, de um cantor que poucos gostam e foi tema de novela das 20h. Assim, todo mundo conhece, pouca gente curte. A letra, num primeiro momento, não me disse nada, só hoje descobri por que ficou tão impregnada nos meus pensamentos. Ela serviria para inspirar algo que preciso por pra fora, cuspir mesmo.
Pior do que o amor que se vai é o gosto amargo e o cheiro azedo que fica. E esse cheiro fica impregnado na casa, na roupa, na pele, por tudo. E a gente tenta um cheiro melhor, um cheiro puro, mas o passado é tão forte, que nos bloqueia as vias, talvez as veias.
E mesmo um beijo doce, talvez o beijo mais doce que possa existir não é capaz de tirar por completo o amargo da boca. Eiii, não estou falando de amor. O amor é bom e já foi embora, o que sobrou foi o gosto ruim, que não vai, mas já vai tarde.
O cheiro azedo se mistura com o cheiro de cola. A gente cola os cacos, mas o cheiro fica. E a nossa própria cola se mistura com o cheiro de tinta, da tinta que a gente rabisca o novo futuro. E risca e rabisca.
Quem dissolve tudo isso? O tempo. Ele alivia o cheiro, amacia o gosto, torna a tinta fresca seca. Acalma o pensamento. Fixa os rabiscos na história, estabelece cada lugar. Dá vida. Traz vida. Devolve vida. V-I-D-A-!
Música inspirada na música Cruzando Raios, na versão dos músicos Matheus Possebon e Jonathan Corrêa.
Talvez tenha sido o post mais fácil de ser registrado. Costumo dizer que minhas idéias ficam maturando na cabeça. Identifico um bom tema, algo sobre o que gostaria de escrever e fico mentalmente divagando sobre ele, até que encontro uma música que o faz sair de mim. O texto passa da cabeça para os dedos, dos dedos para o papel. Dessa vez nem precisei de música, e nem de muito tempo. Dedico o ágil processo a uma amiga que leu a mim um texto do Carpinejar ao telefone.
A crônica falava do sofrer, dos tipos de sofrimento, das escolhas que fazemos. Minha vontade era, enquanto ela lia já ir colocando no papel toda a minha revolta. Estou cansada de gente que acha que pode medir o amor pelo sofrimento que ele causa. Quem disse que quem ama tem que sofrer um dia? Quem disse que um relacionamento para ser intenso tem que machucar, doer, sangrar? Quem disse que porque eu não estou atirada numa cama, não estou emagrecendo e chorando dia e noite não possa estar sofrendo? Sofrer ou não nem sempre é uma escolha. Consumir-se dentro deste sentimento é.
E eu opto pela vida. SEMPRE. Acho que drama não resolve as coisas. E cada dia mais observo que o melhor, o mais verdadeiro, nem sempre é o mais dramático. Estamos falando de vida real não de novela mexicana. O roteiro é permeado por contas a pagar, amigos a divertir, trabalhos a realizar, uma vida para viver.
SINTO MUITO, PORÉM NO MEU ROTEIRO NÃO SOBRA TEMPO PARA DEMONSTRAR SOFRIMENTO. SOU O TIPO QUE DEMONSTRO O AMOR. O AMOR A MIM, A MINHA VIDA E AQUELES QUE ME FAZEM BEM.
( Música que acabou com meu primeiro sofrimento amoroso aos 15 anos )
Fazia tempo que não participava de um Sarau. Aliás, fui a vário como ouvinte. Só participei num. E lembro até hoje, nele descobri que, mesmo tímida, ter a atenção dos outros era algo que me atraía. Meu assunto não é o Sarau, mas uma das conversas que rolaram nele - o Teatro Mágico. Banda, espetáculo, show, não sei como descrever o que é o Teatro, talvez um teatro mesmo. Enfim, as letras são ótimas e uma delas, em especial, ficou martelando minha cabeça a semana inteira. Entre uma atividade e outra, eis que surgia a história da Bailaria e do seu par, o Soldado de Chumbo, na minha boca. Não tinha como a música não virar tema aqui.
“De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Está faltando graça e está sobrando espaço
Estou sobrando num sobrado sem ventilador”
Tudo que sobra num relacionamento é ruim. Tudo que falta também. Estar sobrando ou faltando é sinal de que não está na medida certa, não existe um equilíbrio. Um copo vazio muitas vezes não mata a sede. Um copo muito cheio transborda, derrama, acaba molhando o chão.
Os mais materialistas vão dizer que dinheiro sobrando é bom, não é, primeiro por que, na verdade, nunca sobra. O que não se gasta num mês se gasta no outro, investe-se. Agora me diz: Tem como investir amor para não sobrar? O que não conseguimos amar neste mês vamos amar no próximo, e tudo bem? Ou se faltou amor. Até quando um vai esperar o outro ressarci-lo dessa falta?
“Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?
Coração, que ainda vem me perguntar o que aconteceu
Conta se seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu”
O difícil é aceitar que não existe o equilíbrio, é pensar que tem coisa de mais ou coisa de menos naquilo que era para tão perfeito. O difícil é entender que não é a gente que está querendo demais, é que está faltando mesmo. Nessas horas a cabeça tenta mostrar o real, no entanto o coração da Bailarina segue tentando se iludir. O difícil é entender que a Bailaria do Soldado de Chumbo precisa seguir sem ele, e que isso é melhor para os dois. O difícil é:
“Nossa casinha vazia
Parece pequena sem o teu balé
Sem teu café requentado
Soldado de Chumbo não fica de pé”
E, mesmo assim, seguir, esperando que o tempo ponha, mais uma vez, tudo no seu devido lugar.
Antes de desenvolver o assunto que escolhi para este post, aí vão alguns dados. Fui criada numa família religiosa. Seguimos, a grande maioria, o Evangelho Quadrangular. Somos orientados pela Bíblia e tiramos dela mensagens importantes, que tocam nossos corações. Não somos cegos, não somos massa, usamos a religião para nos sentirmos acolhidos, mais perto do pai.
É engraçado, sempre que digo que vou à igreja as pessoas me olham com uma cara de dúvida. Tu?!?! Sim. Eu. Hoje, parece que ter religião é careta, cafona, coisa de gente sem instrução. Acho que por isso estranham minha escolha. Não me considero careta, tenho tatuagens, piercing, um cabelo esquisito, falo sobre tudo, saio com meus amigos, faço festas, viagens, estou terminando a faculdade e tenho mais um monte de cursos no currículo. Pode-se dizer que sou uma “adolescente-adulta” normal. Não é falta de instrução, é uma necessidade.
Ter uma religião para mim, ir à igreja, é, no meio de toda correria de uma semana, reservar um momento para olhar para dentro. Infelizmente, sozinha, longe da igreja, esse momento acaba sempre ficando para depois. O culto é uma forma de me comprometer comigo. Olhar para dentro não é fácil. Muitas vezes, a gente prefere errar e, olhando para fora, culpar o outro das nossas próprias falhas.
Com tanta violência, mentira, agressão, violação lá fora, nesse mundo doido que vivemos, é olhando para dentro e um pouco para cima, que busco as energias necessárias para seguir, para traçar meu caminho. Alguns caminham sozinhos, cheio de si, de razão. Faço isso, mas preciso sentir que alguém olha meus passos, que alguém, algo, algo maior que eu, que tudo, caminha ao meu lado.
Logo que me mudei para Porto Alegre, a correria foi tanta que acabei caminhando do jeito que dava. Posso dizer que não cometi tantos erros, essa força superior, que eu chamo de pai, seguiu ao meu lado, mas faltava que eu estivesse ao lado dela. A religião para mim é como uma família, a gente não precisa morar junto, morar perto, mas a gente precisa regar o laço, renovar o laço.
Hoje, de volta, vendo a minha vida mais animada, mais positiva, mais no rumo que gostaria que ela estivesse, vejo que falta estar longe me fez.
Virei noveleira. E a parte boa disso é que estou conhecendo muitas músicas novas, renovando minha playlist. Não sei se já escrevi isso aqui, mas as canções têm um espaço todo especial na minha vida. Elas, como numa novela, são a trilha sonora que embala meus dias. São elas as responsáveis por me fazer chorar num momento triste, chorar num momento feliz. As músicas me inspiram e, para começar a escrever esse post, já ouvi cinco vezes a mesma canção. Originalmente cantada por Roberto Carlos, “EU NUNCA AMEI ALGUÉM COMO EU TE AMEI”, na voz de Ivete Sangalo, é que lubrifica meus olhos nesta noite de domingo.
“Sorrisos e palavras são tão fáceis
Escondem a saudade que ficou
Mas acho que cansei dos meus disfarces
Quem olha nos meus olhos
Vê que nada terminou”
E quem olhar nos meus olhos ainda por muito tempo, hoje arriscaria dizer que para o resto da vida, verá que para mim não terminou. Onde foi parar o nosso encaixe perfeito? Por que é tão difícil admitir que o nosso amor é forte o bastante para nos fazer mudar tudo, para nos fazer querer ser uma pessoa perfeita. Ok, não existe alguém perfeitamente pronto para outro alguém e isso nem teria graça. Mas o amor tem desses devaneios, tentar ser perfeito para quem amamos pode parecer loucura, na minha cabeça é nobre.
Aprender com o erro. Repetir o acerto. Multiplicar os acertos. Surpreender sempre. Acolher. A palavra de ordem deve ser compreensão, não discussão. De uns tempos para cá aprendi que um relacionamento não pode ser um jogo de forças opostas, como num cabo de guerra. As forças precisam mirar a mesma direção, almejar o centro, o ponto que une, o elo, o meio, o interior, o amor.
Parece pouco e fácil brigar uma vez por semana, quatro brigas no mês. Difícil é reconhecer o erro, pedir desculpas, perceber o todo, deixando de lado o próprio umbigo. Usar o argumento certo na hora certa, sem jogo, sem ameaça. Reconhecer em si alguém que pode fazer uma pessoa feliz. E aceitar no outro essa mesma capacidade. E para que tudo dê certo, para que nunca precise ser o fim, aceitar que a felicidade está diante dos olhos, ao alcance das mãos.
Tempo demais afastada do blog. Primeiro foi o aniversário, depois o show, depois a Expointer e, junto com tudo isso, a MONOGRAFIA. Essas coisas todas ocupam quase todo meu dia. Estou acordando cedo para trabalhar, chego em casa, arrumo a bagunça mais urgente, tomo banho e mergulho nos livros, nas pesquisas, no meu primeiro capítulo. Quando vejo já é hora de dormir e um novo dia começa. Para qualquer pessoa que não gosta do emprego que tem e chegou à conclusão, nos semestres finais da faculdade, que nem era aquilo que queria estudar, minha rotina seria o próprio tédio. Para mim não. É puxado, porém adoro. Adoro, mas, por conta da informação, estou cada dia mais revoltada com a sociedade que vivo.
No primeiro capítulo da minha monografia, que tem como objetivo fazer uma análise de recepção sobre a matéria capa da revista Época, de 2 de junho de 2008 (Ed 524) – “Eles são do Exército. Eles são parceiros. Eles são gays.” (foto), estou fazendo uma análise geral da homossexualidade na sociedade. Para isso, escrevo sobre homossexualidade e a cultura religiosa, homossexualidade e o princípio da igualdade, entre outros temas. E é justamente quando busco entender como essas relações se dão que me revolto.
É pastor da Assembéia de Deus que usa seu programa de TV, há 30 anos no ar, para dizer que o homossexualismo é pura promiscuidade humana, e, além disso, comparar homossexuais a serial killers que esquartejam 50 pessoas.
É deputada estadual que, para defender sua posição contrária a criminalização da homofobia, diz que, como heterossexual, precisa ter direito de demitir um motorista, quando descobrir que ele é gay, para proteger seus filhos de serem bolinados pelo sujeito na ida para a escola, como se pedofilia e homossexualidade fossem palavras sinônimas.
É a sociedade como um todo, influenciada por gente assim, que mostra seu preconceito velado. Segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, 99% da população brasileira tem algum tipo de preconceito contra homossexuais.
É nosso legislador omisso e homofóbico, que com medo de não manter o cargo, acata bancadas religiosas e conservadoras, e deixa projetos de lei, que vem para guardar os direitos da minoria gay, rolando por anos e anos dentro do poder, enquanto os números nos mostram que, por ano, são assassinados cerca de 300 gays, e o motivo – CRIME DE ÓDIO.
Ódio eu tenho é de hipocrisia, preconceito, de gente atrasada, que parou no tempo e que não consegue aceitar o outro como ele é, respeitá-lo. Ódio eu tenho é dos homens, os mais contrários a homossexuais segundo todas as pesquisas, que enchem a boca para fazer piadinhas “de bicha”, deixam a mulher em casa e vão dar a bunda para travestis na calada da noite. Ódio e nojo tenho dos que se dizem religiosos, que constituem uma família, um lar, que abominam a homossexualidade por que isso está na bíblia e estupram as filhas quando chegam em casa, como se seus atos fossem abençoados por Deus. E ainda para esses preconceituosos, que se dizem religiosos, lembro que Deus ama seus filhos igualmente – sendo eles homossexuais ou não – ISSO TAMBÉM ESTÁ NA BÍBLIA.
Para pensarmos deixo uma citação, que vou utilizar no meu trabalho.
“Segundo a fé, fomos todos criados por Deus. A Divina Providência nos faz assim como somos. Nossos genes, nosso temperamento, nosso tempo e lugar na história, nossos talentos, habilidades, fraquezas – tudo isso faz parte do inescrutável e amoroso plano que Deus nos preparou. Assim, de algum modo Deus deve estar por trás do fato de que algumas pessoas são homossexuais. Se é assim, por que deveria a palavra de Deus na Bíblia condenar a homossexualidade? Deve haver um erro em algum ponto do raciocínio. Será que os homossexuais são um erro? Será que algo deu errado com as pessoas que são gays e lésbicas? Serão pessoas defeituosas? Há quem o creia. Mas, nesse caso, Deus deve ser mau ou deve estar pregando uma peça cruel – e isso não é possível. Deus não erra. Então, deve haver outra resposta. O erro deve estar na forma pela qual a Bíblia é lida.”