quarta-feira, 27 de julho de 2011

Partir.



Por Juliana Ramiro

Partir.
Uma das palavras mais tristes que martelam na minha cabeça.
Partir rima com desistir, cair, ferir, falir.
E pra mim, deveria rimar, também, com sofrer, desfalecer, empobrecer, perder.

Tantas rimas possíveis.
Aos poucos, dentro desse livro preto, vou perdendo minhas palavras preferidas.
Amar, sonhar, conquistar, acreditar, realizar.

Gosto do som aberto que as finaliza.
O espaço que lhes dá a boca.
A liberdade com que se acomodam ali.
O espaço que deviam ocupar na minha vida.

Partir em si já é tão apertado.
E ele ainda divide espaço com a língua.
Dentro da boca ou na vida - sobra quase nada.


Ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir



(Poesia escrita ao som de Eu Te Amo – do Tom e do Chico, na voz da Ana Carolina)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Desafio Literário



Evandro Oliveira, autor do blog Sabor da Letra, respondeu ao desafio e lançou o mesmo para quem se interessasse. Vivian Carvalho, do blog pecado é não morder a maçã, participou e comentou que eu iria gostar. Aqui estou.


1 - Existe um livro que você leria e releria várias vezes?
Soldados não Choram – Roldão Arruda

2 - Existe um livro que você começou a ler, parou, recomeçou, tentou e tentou, mas nunca conseguiu ler até o final?
Comprometida - Elizabeth Gilbert

3 - Se você escolhesse um livro para ler para o resto da sua vida, qual seria ele?
100 Sonetos de Amor – Pabro Neruda

4 - Que livro você gostaria de ter lido, mas que, por algum motivo, nunca leu?
Operação Massacre – Rodolfo Walsh

5 - Qual livro que você leu cuja "cena final" você jamais conseguiu esquecer?
É Tarde Para Saber – Josué Guimarães

6 - Você tinha o hábito de ler quando criança? Se lia, qual tipo de leitura?
Sim.  Mas não lembro o que lia. Já adolescente gostava de poesias, romances, Machado de Assis, Drummond, Goethe.

7 - Qual o livro que você achou chato, mas ainda assim o leu até o final?
Extensão do Domínio da Luta - Michel Houellebecq

8 - Indique alguns dos seus livros favoritos.
Memória de Minhas Putas Tristes – Gabriel Garcia Marquez
A Mensageira das Violetas – Florbela Espanca
Dom Casmurro – Machado de Assis
Budapeste – Chico Buarque
Minhas Histórias dos Outros – Zuenir Ventura
O Próximo Amor - Yves Simon
O Lado Fatal – Lya Luft
Reunião de Família – Lya Luft
A Sangue Frio - Truman Capote

9 - Qual livro você está lendo no momento?
Fragmentos – Caio Fernando Abreu
Aprendendo Action Script 3.0 – Rich Shupe e Zevan Rosser
Media Handbook: um Guia Completo para Eficiência em Mídia – Helen Katz
Outros para minha monografia



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terça-feira, 19 de julho de 2011

Desistir de ti é desistir de mim



Por Juliana Ramiro

Por mais difícil que possa ser o caminho, eu escolho viver, não apenas existir.
Como já disse o poeta, viver sem ter amor, não é viver.
Desistir de ti é desistir de mim.
Se tua felicidade não é suficiente, vou ser muito feliz, tanto que minha felicidade será suficiente para nós, até que encontres a tua.
Se sentes que tuas energias estão acabando, eu serei uma fonte, e vou alimentar a minha e a tua vida, com a energia necessária para iluminarmos uma cidade inteira, e se quisermos o mundo.
Se teu caminho parece confuso, o meu será uma reta, e eu serei a tua bússola, e se mesmo isso não for suficiente, serei tua guia, e caminhando ao teu lado, estaremos juntas na saída.
E se teu fardo parece pesado demais, o meu será leve o bastante para que possa dividir o teu fardo contigo. E quando terminarmos o transporte, meus braços ainda serão teus, e os teus meus, no abraço da vitória.
E se nada disso funcionar, ainda sim vou estar ao teu lado, e vamos começar tudo de novo. Tentar faz parte da vida. E eu acredito que pode dar certo.
Entenda, mesmo que tudo pareça dar errado, pouco importa, por que eu e tu já demos certo.
Desejo todo amor do mundo para ti, mas, acima de tudo, o meu.


"Cantar para você dormir" - Minha mais recente lembrança

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sim, a vida é insuficiente



Por Juliana Ramiro



Estou numa semana inspiradora, semana de mudanças, realizações. Papéis encaminhados, tornando real o sonho da casa própria. Semana daquelas que a gente não caminha, pula de alegria. Hoje acordei cedo, cheguei ao trabalho e, como de costume, abri meus e-mails e redes sociais. O primeiro texto que pulou nos meus olhos foi “linkado” por uma amiga, ela sabia o quanto aquelas palavras seria interessantes para mim. E foram. Muito. Tanto que resolvi escrever sobre elas.


“Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. (...) Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.” (Eliane Brum – colunista Época)


Nem sempre tive a melhor relação do mundo com meus pais, sou uma pessoa difícil e, claro, herdei muito deles. Em épocas mais conturbadas, penso que seria melhor ser alguém mais simples, que isso traria uma paz constante para nossa relação pais e filho. Ser fácil me parece pobre, admirável, mais vazio. Costumo dizer que não nasci para isso, assim, a idéia de facilitar as coisas entra, mas logo sai dos meus pensamentos, que são muitos.


Desde muito pequena pensar é um exercício constante. Minha mãe que o diga. Lembro como se fosse hoje, devia ter uns 11 anos, e todas as minhas conversas com ela começavam assim: “Mãe, sabe o que eu tava pensando...”. E a partir dali ela ouvia meus plano para o futuro, o que eu ia fazer de faculdade, a carteira de motorista que queria tirar, onde gostaria de morar, meus planos de morar sozinha, os próximos cursos que faria. Depois de ouvir, ouvir e ouvir, lá pela décima vez que introduzia o “Mãe, sabe o que eu tava pensando”, ela dizia: Filha, pára de pensar um pouquinho, vamos viver o hoje.


Viver o hoje foi sempre uma dificuldade para mim, confesso. Sempre quis estar adiante. Chegar na frente, ser logo gente grande, ter responsabilidades. Acho que isso é mérito meu, mas tem muito de meus pais. Posso dizer que fui uma criança que ouvi uns “Te vira, meu filho”. E com o tempo, deixei de ouvir, pois peguei gosto por me virar cada vez mais sozinha. Não fui uma criança triste por ouvir, desde sempre, que a vida não era um morango, que chantilly era caro, que éramos pobres e que tudo viria mediante muito esforço. Tive ótimos exemplos e aprendi a dar valor às coisas simples, como um almoço em família, um chá com bolacha Maria.


Hoje, sempre consulto meus pais para grandes realizações, mudanças, e conto com o apoio deles. Mas a palavra final é sempre minha. Isso me faz bem. Como diz Eliane Brum na sua coluna, e eu apoio, crescer é compreender que a vida é insuficiente, e que por isso é melhor não perder tempo. O meu maior medo é não ter tempo de fazer tudo que passa pela minha cabeça. Por isso vivo em constante corrida. Viver correndo é ruim? Não sei. Há quem diga que sim. Como cantou Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Eu aceito a dor e faço a delícia, a minha recompensa, valer muito a pena.


CLIQUE AQUI e confira a íntegra da crônica mencionada no texto.



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sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Estranho e A Outra Face do Estranho





Por Juliana Ramiro (25/06/2006)




O Estranho

Ouvi uma bela história, não sei se vou conseguir contá-la com o mesmo requinte e todos os detalhes que me foram apresentados. Tu sabes bem que minha memória não é das melhores, mas acredito que vais gostar.

Era uma dessas histórias de amor que falava de uma bela Deusa, de longos cabelos ruivos e ondulados, de olhar e sorriso doces e, ao mesmo tempo, maliciosos. Numa tarde escura e chuvosa, a Deusa fugiu com um estranho para um belo templo, não muito grande, adornado com a pureza do azul e, muito próxima a esse templo tinha uma fonte aquecida a borbulhar.

A Deus e o estranho se amaram de forma tão intensa que os detalhes lhes fogem a memória, que registrou apenas a grandiosa intensidade como as coisas aconteceram, a entrega e o prazer. Mas o tempo, inimigo de todos os amantes, correu muito depressa e, quando perceberam, já era hora da bela Deusa voltar a sua morada. Ela se fora e deixara o estranho só com suas recordações. Os belos olhos, o encarnado dos lábios e cabelos, a pureza alva da pele, o odor suave, o sabor, o calor, o amor.

Dizem que ela se entregou para saciar os desejos desse estranho, ao qual jurou seu amor. O que a Deusa não sabia, era que essa entrega era imprudente e que deixaria marcas profundas. Seu pobre amante, depois dessa tarde, vaga sozinho, sem rumo. Ele já não enxerga a beleza do mundo se não fora através dos olhos dela. Todos os seus sentidos estão confusos, todas as sensações carregam turbilhões de lembranças e novos desejos.

Claro, não sou um bom contador de histórias e devo ter perdido informações importantes da transcrição original para esta, mas espero que consiga passar a essência e a beleza dessa história.

A Outra Face do Estranho

Também não sou uma boa contadora de histórias, mas vou tentar, nas poucas linhas que se seguem, recontar a tão linda história de amor entre a Deusa dos cabelos ruivos e o Estranho, acrescentando detalhes que ouvi da mesma história e que, de forma muito especial, marcaram minha alma.

Sem dúvidas é uma linda história, e até arriscaria dizer de conto de fadas, marcada pela pós e mútua melancolia. Assim como o Estranho sozinho, vaga sem rumo e precisa dos olhos da Deusa para enxergar as belezas do mundo, depois de tão significativa tarde, ela, tão linda Deusa de cabelos ruivos, não imagina mais a felicidade se não no reencontro com tão amado Estranho. Não consegue viver sem ter a certeza do presente e, por mais que saiba que, de forma especial, marcara esse homem, o medo de não tê-lo pelo tempo que dure esse amor é algo forte, atormentador.

Sofre o Estranho, sofre a Deusa. Tudo depois dessa tarde parece pesar na certeza, tudo depois desse tempo parece ser pouco, porém intenso, fraco porém verdadeiro. Sabe-se que até os dias de hoje, eles não conseguiram se reencontrar em tão celestial presença. Dizem que a Deusa não é mais a mesma, que por mais que o exterior continue intacto, algo dentro dela mudou fundo. Ela anda longe. Talvez ao encontro daquele Estranho, que chegou meio na sorte, no acaso, no destino.

E aqui, o destino, é o único a poder explicar tão fulgorosa história, só através dele ela ganhou início, meio e quem sabe, um dia, por obra somente do destino, ganhe um fim. Ninguém melhor que o destino para contar essa história, ninguém melhor que o criador para falar da criatura. Assim, fica no ar, no coração da Deusa e do Estranho a angustia do reencontro, e ainda, a dor de não saber como tudo acabará.


Obrigada ao meu grande amigo Lenir Bartnik por estar sempre presente na minha vida e me ajudar a escrever essa história.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Grata surpresa




Por Juliana Ramiro


Tempo demais afastada do blog. Meus dias estão tão corridos que as coisas que gosto preciso deixar de lado para dar conta de tudo. Não gosto de ficar tanto tempo longe, tanto tempo com idéias acumuladas, sem refletir e jogar algo no “papel”. Muita coisa que queria ter escrito no momento exato, no auge da inspiração e passou... Pena.

Não foi só para me lamentar que reservei este tempo para escrever. Já devo ter dito isso algumas vezes, mas a cada capítulo, tenho mais claro que a vida é uma caixa de surpresas – boas e ruins. As surpresas ruins prefiro esquecer - elas só me tomam tempo e deprimem. Hoje quero falar de algo bom.

O que pode ter sido bom na vida de alguém que teve num único mês o carro arrombado, que perdeu uma prova importante na faculdade, passou dias e dias batendo boca no telefone com lojas, anda sem tempo para ir ao cinema, praticar esportes, assistir filmes, ou só ficar em casa?!?! O que pode ter de bom no junho de alguém que adoeceu, morreu de dor de cabeça, andou estressada, resolvendo mil problemas que estouraram todos ao mesmo tempo?!?!

Sei que é difícil imaginar, por vezes me questiono como não me passa pela cabeça desistir, largar de mão essa brincadeira de atender tudo e todos ao mesmo tempo, essa brincadeira de ser gente grande. Será um sinal divino pedindo para eu entregar os tacos, como naquela brincadeira de criança? Largar não é algo que me foi ensinado. Fui criada e a vida me treinou para nunca desistir, ir até o fim de tudo, conquistar minhas coisas, minhas vitórias. A qual preço? Não. Mas com todo esforço possível, certamente.

O fato é que algo muito bacana aconteceu. Amigos aconteceram. Acredite, quem pensa que pode viver sem eles está muito enganado. Não me considero uma pessoa de muitos amigos, mas no meu seleto grupo encontro a medida certa de força e carinho. Meus amigos se multiplicam na hora de conversar, na hora do abraço, do conselho. Eles seguem os mesmos – uns longe, outros perto - mas, sentindo minha fragilidade, dobram os cuidados.

A surpresa não foi saber que posso contar com eles, isso nunca foi novidade. O que aconteceu passou por dentro de mim. Até hoje nunca soube perdoar. Aprendi e sinto que valeu a pena. O perdão trouxe alguém que me fez bem e, que, aos poucos, volta a ser importante, retoma seu posto. Não é fácil ser meu amigo, reconheço. Meus amigos são como família - faço tudo por eles, mas espero o mesmo em troca.

E, nossa, como eles torceram por esse perdão... Tudo tem um preço e dessa vez pagamos esse preço juntos – eu e meus amigos, reunidos como antes, comendo, bebendo, rindo e jogando. O preço nem sempre é ruim. Neste caso foi ótimo.

Admito que perdoar me fez bem, no entanto, ver a alegria dos que sempre estiveram comigo e torceram por isso, foi o melhor preço de tal ato. Espero, do fundo do meu coração, ter feita a escolha certa, e que nossa alegria se mantenha, e que nossa união seja cada dia mais forte.

Obrigada para os que estiveram ao meu lado e para aquele que soube respeitar meu tempo e, mesmo de longe, preocupou-se comigo. Grata surpresa.

domingo, 12 de junho de 2011

De mudança...




Por Juliana Ramiro



Faz tempo que ando longe do blog por que na minha vida parece que tudo acontece exatamente ao mesmo tempo. É final de semestre, estou cheia de atividades por fazer, coisas novas no trabalho, um freela por terminar, um carro para negociar, um apartamento novo aguardando minha mudança e toda a arrumação pós-ela. É luz, é internet, é sofá, é cozinha por vir, roupeiro de já chegou, tomadas por instalar, tudo provisoriamente aguardando por mim.

No meu último banho na casa antiga, enquanto me secava e passava o único creme que ficou de fora das malas, vendo pela porta aberta a casa vazia, comecei a pensar nos significados de uma mudança. Quando a gente se muda opta por algo novo, opta por deixar coisas pra trás. E eu deixei.

Meu apartamento antigo foi minha primeira mudança, a única casa que tive em Porto Alegre. E nele recebi pessoas que nem falo mais, e amigos que me ajudaram na primeira mudança e até hoje estão na minha vida. Recebi postais, dos que foram viajar e contas, preço das minhas conquistas. Nele pude entender o valor de se ter liberdade, e apreciar tal condição.

Na minha antiga casa aprendi a lavar roupas, consertar canos, instalar spots de luz. Aprendi a fazer estoque de papel higiênico, a limpar a geladeira, e a desenvolver paciência com os vizinhos. Naquela casa deixei lembranças. As visitas, os carinhos, os choros, as alegrias, os muitos trabalhos.

Já vestida, após meu último banho, vou até o quarto, agora vazio, e vejo que o que dele sobrou foi a janela e a árvore, que descobri há pouco, mas que aprendi a apreciar. Nesse momento pensei que deveria sentir saudade. Não senti.

As pessoas que falo me desejam felicidade na casa nova, que essa conquista seja para minha alegria, meu crescimento. E mesmo com tudo que deixo para trás não consigo me imaginar infeliz, seja aqui ou em qualquer lugar.

Não sei sentir saudade do passado, acho que a cada dia a vida fica melhor, o sol se abre mais brilhante para mim. O passado não me dá saudade, sou apaixonada pelo meu presente. E por escolha minha, o futuro será melhor, para que eu não precise sentir saudade do que se foi.

Eu vou ser feliz aqui, na minha casa, essa foi a escolha que fiz. Onde estiver a felicidade estará comigo, a carrego entre as minhas malas.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

O preço de ser diferente





Por Juliana Ramiro




Todo pai deveria se orgulhar de ter um filho diferente. Na vida, não é o que acontece. O diferente sofre, não é compreendido. Há uma guerra de forças entre pais e filhos diferentes. Os pais tentando fazer os filhos mais iguais, os filhos tentando fazer com que os pais valorizem sua diferença.
No trabalho o diferente é reconhecido. Na faculdade, também. O diferente é aquele que os amigos elogiam o empenho, a força, a determinação. O diferente é aquele que é pego sempre de exemplo de luta, de espelho. Até os pais de filhos comuns usam os diferentes para estimular seus filhos normais. Só mesmo o pai do diferente não é capaz de aceitá-lo.
Eu sou diferente. Eu não usei drogas na adolescência para ser rebelde. Não andei com grupos barra pesada. Não fui mal na escola. Não repeti de ano. Não matei aula. Não fiz 10 anos de pré-vestibular. Não troquei de curso na faculdade, por indecisão. Sempre soube o que queria. Não rodei em nenhuma cadeira. Não usei roupas indecentes. Não fui a sabonete da cidade. Não namorei caras sem futuro. Não transei com um professor no ensino médio. Não matei aula. Não peguei o carro sem pedir. Não aprendi a dirigir antes dos 18. Não engravidei com 18. Não completei 30 anos morando e sendo sustentada por meus pais. Não fiz escolhas cômodas. Não culpei meus pais de nada. Não fiz terapia.
Hoje, com 22 anos de idade, muitas pessoas me elogiam pelas escolhas que fiz, pelas dificuldades que passei e passo, por onde cheguei. Muitas pessoas reconhecem meu esforço e minha diferença como algo bom. Já ouvi muito “é difícil encontrar alguém com a tua idade e tua maturidade, tuas conquistas”. Estes elogios e apoio só não vem de quem eu mais queria.
Este é o preço de ser diferente. Viver esperando compreensão de quem passou 22 e vai passar outros tantos tentando me colocar na forma do comum.



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Onde está o Leão?





Por Juliana Ramiro



Dizem que quanto mais velho se fica, mais a gente se aproxima do nosso ascendente. Vai perdendo as características do nosso signo e ganhando uma nova forma. Pois a vida me trouxe uma nova teoria. Ou talvez seja apenas uma mutação particular, minha.
A dor me aproximou do meu ascendente. Sofrer me torna cada dia mais Peixe. Onde está o Leão que me habitava? Onde está sua força? Minha força? Nossa força? Onde está a coragem? A determinação? Aquele sentimento de poder SIM ter tudo que quero? Onde foi parar o Leão que ruge, que assusta, que protege, que se comporta como o Rei da Selva, e possui a postura de rei?
Onde está o Leão que controla e cuida da vida dos habitantes de seu reino? Onde foi parar o Leão que serve de porto seguro para família, amigos, amores? Onde está o Leão que todos orgulham-se e que eu me orgulhava de ser?
Nunca me senti tão Peixe. Um Peixe pequeno, restrito ao mundo das águas, passando meus dias remando de um lado para o outro sem um rumo certo. Um Peixe que pode ter as melhores intenções, mas sem braços, nunca conseguirá acolher os seus. Um Peixe que não é temido, tão pouco admirado. Um Peixe frio, molhado, presa fácil para outras tantas espécies. Sinto que a qualquer momento posso ser devorada por um pássaro, ou mamífero, por homens. Um Peixe de olhos saltados e tristes. Olhos inchados de tanto alimentar o seu próprio meio – água. Um Peixe frágil, acovardado, que tem boca, mas não fala, não grita.
No auge da minha existência Peixe, eu só queria recuperar, nem que fosse a juba do Leão que fui.






terça-feira, 10 de maio de 2011

Parece que tudo é e foi dela




Por Juliana Ramiro


A cama estendida, meus sapatos dentro do armário, os pijamas dobrados, a pasta de dente, os pratinhos dos gatos cheios de comida. A escova no banheiro, ao lado da minha, a louça no escorredor, a pasta que organizo meus papéis, os bilhetes no mural, os filmes de um dia de molho. A barra de chocolate no balcão, o meu coração, a minha alegria, a minha casa.
É difícil ficar com todas essas coisas perto e longe do principal. E mesmo que nada disso existisse, ainda tenho lembranças, carinhos, conchinhas, abraços, histórias, sorrisos, risos, choros, planos e sentimento.
É impossível apagar tudo isso e não quero. É impossível não sentir falta. É impossível não lamentar pelo caminho. É impossível sorrir como antes. É impossível não lutar para ter o que é meu e tudo que é dela de novo.





“Vejo a vida passar sem graça
No vazio dessa casa
Fico a imaginar, você parece estar aqui
Pode ser que eu esteja sonhando demais
Só eu sei quanta falta você me faz” (Fábio Jr.)





sexta-feira, 6 de maio de 2011

Eu finjo ter paciência...


Por Juliana Ramiro



Com gente burra. Com gente que não sonha alto. Com quem não vai atrás de seus sonhos. Com quem vive aparentemente feliz. Aparentemente rico. Aparentemente cheio de amigos. Com quem não se dá conta que passou. Que é passado. E que passado não é só uma nomenclatura, mas um tempo que já não existe. Com quem mente para si mesmo. Com quem não sabe fazer escolhas. Com quem julga sem olhar para o próprio umbigo. Com quem leva tudo ao pé da letra. Com quem acredita cegamente em religião, política, ideologia, ou o que seja. Com quem não tem argumento. Com quem fala mal, mas quando precisa “paga pau”. Com quem se aproxima das pessoas por necessidade. Com quem não admite que sua vida não é tudo isso para aí sim poder fazer diferente. Com quem diz ser cheio de amigos, mas senta numa mesa de bar sozinho. Ou com desconhecidos. Com quem torce para que relacionamentos terminem para não se sentir tão encalhado. Com quem não admite seu peso, sua altura, seu cabelo, sua existência. Com quem coloca inocentes no mundo e os renega como se tivessem culpa. Com quem abandona a família. Com quem espanca os filhos. Com quem trai a si mesmo. Com quem mente que ama. Com quem mente olhando nos olhos de quem quer que seja. Com quem agride a mãe. Com quem faz maldade. Com quem não sabe amar. Com quem maltrata inocentes. Com quem baixa a cabeça para tudo. Eu finjo ter paciência com quem sabe que é algo do que escrevi até agora e não faz nada para ser diferentes.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Never let me go...


Por Juliana Ramiro


Não quero mais partir
Tenho motivos para ficar
E o principal - Você

Nem sempre é fácil
E mesmo o difícil parece bom
Quando tudo que vejo
É iluminado por esse sorriso

O teu riso é música
O teu amor, poesia
O meu cantar, nossa alegria
O teu corpo, meu lar

Quero fazer ninho nessa rua
E dividir minha morada
Com quem aprendi amar

Quero gritar o sentimento
E não ligar para a lamúria
De quem não consegue aceitar


(POESIA INSPIRADA NA MÚSICA LOVE ME TENDER E, CLARO, NO AMOR)


quinta-feira, 28 de abril de 2011

A felicidade dança na minha sala


Por Juliana Ramiro


Gostaria de ter tido tempo para escrever antes no blog, mas ser feliz e me realizar profissionalmente têm me tomado um tempo danado. Se antes eu estava completa, agora além de completa estou certa, confiante, realizada e cheia de sonhos.

A vida é engraçada, porque a gente nunca pode ter tudo, embora eu seja daquele grupo de pessoas que tenta abraçar o mundo para não deixar passar nada. O mundo gira, e o meu parece uma roda de Fórmula 1, e quer saber, mesmo que eu tivesse um botão de pausa, um pedal de freio, não os usaria, não sei viver em câmera lenta, num ritmo arrastado. Ainda tenho tanto que quero fazer, que a vida, mesmo que eu ainda dure uns 80 anos, parece-me pequena diante dos meus sonhos.

Bom, mas o que estava falando mesmo era de perdas e ganhos. Ganhei tanto nos últimos meses. Um amor, uma visita, uma saudade, um passeio regado de emoções, parcerias e carinho, uma conversa importante, um novo plano, uma mudança próxima de casa, de cidade, de estado – estado local, civil, sentimental, profissional. E eu ainda quero mais, e tem mesmo muito por vir.

Nas perdas, acabou uma confiança, perdi uma companhia – alguém que queria mais tempo por perto. Perdi umas poucas lágrimas, que abandonaram meus olhos, também meu estado de fingimento, de fazer de conta que não me machuco, que não fico triste, que sou superior e quero sempre a felicidade de todos. Definitivamente não quero. Perdi a pose, mas me senti mais eu. Perdi o pé atrás que tinha com algumas pessoas, o medo de me deixar sentir esse carinho. Perdi o meu tempo ocioso em prol da criação. Vou perder um pouco do meu espaço, da minha intimidade, talvez a convivência diária com meus gatos.

Meus ganhos foram tão consideráveis e importantes, que vejo as perdas como algo necessário para administrar tudo isso dentro de vinte e quatro e mais vinte e quatro horas. Infelizmente, esse é o tempo que tenho.

Disso tudo tiro algumas lições.

Perder nem sempre precisa ser ruim, tudo é uma questão de como se encara a perda. Ganhar nem sempre é bom, quem está de dieta não gostaria de ganhar peso, por exemplo. A nossa vida precisa estar organizada para receber os ganhos, e claro, nem tudo a gente controla, mas se alguém possui pauzinhos para mexer, este alguém tem que ser você, se tratando da sua vida.

Aprendi, também, que a gente não precisa ganhar o maior presente, da embalagem mais brilhante. O que vale daquilo que se ganha é o que vai por dentro. E só se sabe o que vai por dentro, quando se aceita uma embalagem meia boca e se arrisca no interior. Falo disso, porque de um modo geral, não ganhamos o melhor, o construímos. No entanto, se tratando de pessoas, eu ganhei a sorte grande, meu presente veio lindo por fora e inigualável por dentro.

De resto, o que se ganha e o que se perde está relacionado com o que se planta e o quão disposto a regar a gente se encontra. Depois de tantas gratas surpresas acho que posso me considerar uma louvável mantenedora do meu próprio jardim.

Desculpem-me, mas a felicidade deixou de bater na minha porta, e agora dança na minha sala. Não sei ser triste, melancólica, poética, nostálgica com um presente tão perfeito.



quinta-feira, 24 de março de 2011

Completo....



Por Juliana Ramiro



Foi uma questão de encaixe
Nossas escolhas para aquela noite
O gosto pelas mesmas músicas
Nosso jeito de dançar
A nossa dança

Depois veio o primeiro beijo
E um sucessivo encaixe de abraços
O carinho
O desejo
A luta contra a tecnologia
Uma única vontade: a de não perder contato

A primeira mensagem
A primeira ligação
A primeira janta
Mais uma sessão de timidez
Outro encaixe de beijos
Abraços...
Todo o nosso carinho

Uma noite sem dormir
Uma manhã contando histórias
Um convite sem pretensões
Mais um encaixe perfeito
Tímidas declarações
Horas no telefone

Um convite para ouvir
Um pedido para cantar
Uma linda música na história
Olhos que brilham e não se descolam
Mais uma noite de encaixe

A dificuldade de se soltar
A vontade de se ver
O carinho cada vez maior
Mais conversas
Mais declarações
O presente encaixado

Um encaixe de sorrisos
Um encaixe de pensamentos
Um encaixe de vontades
O nosso encaixe perfeito



(Poesia inspirada na música COMPLETO, cantada por Ivete Sangalo)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Love In The Afternoon...


Por Juliana Ramiro


Quando a gente resolve passar por uma mudança, seja interna ou externa - como trocar os móveis e a distribuição deles na casa -, a gente sempre se depara com o novo e resgata coisas que ficaram no passado. Esquecidas, perdidas, ocultas, ocultadas. Numa mudança é inevitável viver o novo e reviver o velho, um pouco do que fui, do que tive, do que gostei.

Um título em inglês, uma letra em português. Love In The Afternoon, interpretada pelo grande Renato Russo, faz parte do meu passado. Desde muito nova escuto essa música e ela sempre me trouxe um único sentimento: medo.

Medo de morrer jovem de mais, de perder alguém que gostava muito, de sentir muita saudade, de ter lembranças de tempos felizes, que nunca vou poder resgatar. Medo da vida passar ligeira, de ser levada pelo vento e não saber direito o que foi feito da minha juventude. Se realmente fiz as escolhas certas. E se elas vão me levar pra onde achei que iria.


“Quando eu lhe dizia:
"Eu me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada."
Você sorriu e disse:
"Eu gosto de você também."
Só que você foi embora
Cedo demais...
Eu continuo aqui
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Dia de chuva, dia de sol
E o que sinto não sei dizer.”


Hoje, um novo pensamento me surgiu. Nunca tinha pensado que esta música poderia comportar a narrativa de uma paixão que terminou, não exatamente pela morte, porque as pessoas não precisam perder a vida pra ir embora, mas porque elas morrem do jeito que foram idealizadas por tal paixão.

A gente se apaixona por alguém que imaginamos ser alguém. Costumo pensar que se a gente conhece muito uma pessoa, se torna incapaz de se apaixonar por ela. A paixão vem sempre antes. A gente se apaixona por aquilo que queremos ver, por aquilo que pensamos ser, por aquilo que idealizamos ser possível acontecer.

E claro, embora com o sangue mais frio a gente consiga perceber que foi exatamente isso que aconteceu, quando o sangue ferve a gente cai no mesmo erro. É a mesma paixão que mudou de remetente. E os mesmos cacos que foram deixados para trás.

Às vezes dá saudade? Claro. E em mim dói. Principalmente por saber que minha obra, quem criei para me apaixonar, diante dos meus olhos, NUNCA MAIS SERÁ A MESMA.

E o que sinto? Não sei. Só lamento por teres mudado para meus olhos cedo de mais, cedo demais.


sexta-feira, 4 de março de 2011

O que sobrou de nós foi uma linda árvore lá fora





Por Juliana Ramiro

O que sobrou de nós foi uma linda árvore lá fora

E olho para ela, tentando extrair da sua beleza, uma beleza nossa, que já não existe

Ela é grande, parece forte, e mesmo no escuro, ainda posso vê-la

Possui uma luz própria, que eu queria que nós tivéssemos, para que ficássemos lado a lado mesmo nos dias mais escuros

Em noites de lua cheia, parece que a nossa árvore invade o quarto e me acolhe em seus grandes galhos

Consigo dormir em paz

E pensar que ela sempre existiu e que precisei de ti para vê-la

E agora, a nossa árvore, é só minha

Tudo que construímos neste pouco tempo, vai sendo só meu e só teu

Tem noites que meu coração aperta e choro, pensando que tínhamos tudo para sermos felizes

E ao mesmo tempo, nos faltou o principal

Aos poucos teus detalhes, que me deixaram tão apaixonada, vão sumindo

E já não choro, e já não ligo e já não sonho os mesmos sonhos

E a árvore segue ao meu lado, me fazendo companhia todas as noites

E sendo, pra mim, o que de belo sobrou deste passado



Poesia inspirada na música Un Buen Perdedor, de Sin Bandera

"Y si el viento hoy sopla a tu favor
Yo no te guardaré rencor
No, claro que sé perder
No será la primera vez
Hoy te vas tú, mañana me iré yo"


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

That a hero lives in you…




Por Juliana Ramiro
No meio de uma semana complicada, cheia de surpresas boas e ruins, parei para ouvir Hero, interpretada pela Mariah Carey, como se deve. Esta música tem uma letra linda, uma melodia suave, mas de uma força incomum.
Passei o final de semana com dois amigos mais do que importantes pra mim, um que há anos está ao meu lado, outra que chegou a pouco, mas já tem lugar importante. Indo para Tramandaí, visitar minha mãe, ouvimos está música e começamos a falar sobre ela. Hoje, já a ouvi umas 30 vezes e escolho partes para resumir o momento da minha vida.

“There's a hero, if you look inside your heart.
You don't have to be afraid of what you are.
There's an answer, if you reach into your soul,
And the sorrow that you know will melt away.”

Gosto de saber que existe uma resposta para o que julgamos injusto estar acontecendo. Conforta-me o fato de acreditar que tenho um herói dentro de mim, e que meus amigos têm os seus, e de que não precisamos ter medo do que nos espera a frente. Esta estrofe me deixa um pouco mais leve, parece que o fardo diminui ou o nosso poder de suportar aumenta.

“It's a long road, when you face the world alone.
No one reaches out a hand for you to hold.
You can find love, if you search within yourself,
And the emptiness you felt will disappear.”

Nos últimos dias falo de amor e logo sinto um vazio, uma sensação de impotência e perda. As pessoas que amo estão indo pra longe, porque a vida lhes ofereceu novos rumos, e é impossível não sentir já uma saudade. Normalmente, as pessoas têm saudade do que passou, pois eu sinto saudade do futuro que tanto quis ter.
Saudade dos cafés que iríamos tomar, e das risadas que daríamos, e dos churrascos com karaokê e maionese, e das viagens, e dos abraços com pulinhos, e das divagações, e dos almoços em família, do carinho, enfim, de tudo que teria com os que estão longe ou indo para.

Lord knows, dreams are hard to follow.
But don't let anyone, tear them away- ay ay.
Hold on, there will be tomorrow.
In time, you'll find the way.

Frente a tudo... nos resta viver e, principalmente, sonhar com dias melhores. Sonhar que vamos estar cada dia mais perto, embora hoje mais longe. Sonhar e acreditar que alguém olha por nós e que nosso amanhã existe, e nos reserva um belo caminho.
E se vocês não podem estar fisicamente comigo, saibam que estão aqui dentro.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Adeus...



Por Juliana Ramiro


Nunca precisei me despedir assim tão rápido de alguém que eu quisesse tanto ao meu lado. Infelizmente todas as minhas "coisas boas" não foram suficientes pra ti. Dói muito te ver escorrendo por entre meus dedos, e mesmo não me sentindo culpada por isso, penso que te devo desculpas.

Então, desculpa...

por não ter aparecido num momento mais propício pra ti;
por ter me apaixonado tanto a ponto de te querer cada dia mais;
por ter te feito tão feliz e ter te tirado da fossa, a ponto de te deixar com medo do que poderia ter comigo;
por precisar de mais carinho do que tu pode me dar;
pelas noites ótimas que tivemos, e que agora vão ficar na tua lembrança;
por achar que podia te fazer feliz;
por ter tantos amigos e por querer que tu fizesse parte da minha vida e da deles;
por ter ocupado teu tempo te levando pra conhecer coisas que sempre quis fazer com alguém que realmente fosse especial;
por, mesmo depois do teu fora, acabar te procurando por saudade;
por acreditar que era a pessoa certa e que o momento certo podíamos construir;
por ter ficado tão entregue a ti e por ter feito teus amigos gostarem de mim - agora eles me procuram pra dizer que não se conformam com o que tá acontecendo e acredito que devem te incomodar com isso também;
por todos os torpedos que te fiz trocar comigo, e todas as ligações que te fiz atender;
por ter tentado te dar força quando tu tavas só;
por ter te visto na rua e ter te quisto tanto pra mim;
por não ter te deletado da minha vida, assim que tu me disse que não tava no momento pra isso;
por não ter resistido ao teu beijo naquela festa;
por me preocupar com tua segurança, ter te seguido até tua casa e ter aceito o convite pra subir;
por ter me afastado de todos os meus rolos pra não te deixar com ciúme algum - talvez esses  rolos tivesses mantido a nossa falta de compromisso;
por não saber caber do teu lado.

Enfim, desculpa até por aquilo que nem lembro de ter feito. NADA disso estaria acontecendo agora se eu não tivesse me apaixonado por ti naquele dia e não tivesse feito tudo que fiz. Peço desculpa, mas nunca vou me arrepender de ter tentado te fazer e ser feliz ao teu lado.

JURO FAZER O POSSÍVEL PARA QUE TU E MINHA DOR PASSEM O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL.


Adeus.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Como guardar meu amor...




Por Juliana Ramiro


João de Barro, lindamente cantada por Leandro Léo, faz parte das belas canções que compõe o DVD Multishow Ao Vivo da Maria Gadú. Essa música é daquelas pra ouvir alto, de olhos fechados, deixando que ela invada o corpo, tome conta dele, o embale.
            Letra simples e curtinha, fico com a última estrofe como a mais significativa:

“Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor, me ensine como guardar meu amor”

            Como é difícil guardar um amor, mantê-lo puro, feliz e quente. Como é difícil guardar a pessoa amada, o meu amor. Para guardar um amor a gente precisa mantê-lo vivo. Lidar com o dia-a-dia, com as palavras, os gestos, o que poderia ter sido melhor e, principalmente, lidar com aquilo que foi ruim. E isso é tão difícil.
Doar um olhar de amor a alguém todos os dias é tão difícil como segurar uma imensa vontade de chorar. A gente não consegue. Mas isso não significa que não ame. O amor tá lá, dentro da gente, embolado com tantos outros sentimentos, que vem e vão. Ele PRECISA ser bem guardado.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Simplesmente me abrace...



Por Juliana Ramiro


“E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti”

Pensando com os meus botões e buscando explicações ou inspirações para que eu pudesse compreender o que estava acontecendo, acabei ouvindo Sutilmente, do Skank , no rádio do carro e a música me deu aquilo que buscava.

Entre tantas canções, tantas emoções, essa música me trouxe o resumo de uma verdade. Quem disse que se relacionar é fácil? Quem disse que sentir algo forte e pesado no peito é o suficiente para se ter só momentos felizes ao lado de alguém?

Nesta semana, descobri algo que no fundo já sabia, mas que não tive o desprazer de sentir na pele antes. Estar com alguém é perceber este alguém. Saber identificar seus pontos fortes, e valorizá-los, identificar os pontos fracos, e saber lidar com eles. E isso, na prática, pode parecer muito mais complicado do que na teoria. E pode trazer muito mais tristeza do que deveria.

O sentimento pra manter a relação eu tinha, tive, tenho, mas a compreensão e a paciência necessária não. Eu não soube como lidar e nem soube dizer como gostaria de ser lidada. Nessas horas o orgulho estraga tudo.

Disso tirei algumas lições:
1 – O sentimento não é suficiente, mas é ele quem faz as pessoas baixarem a guarda, por medo de perder aquilo que foi tão especial.
2 – Mesmo que a atitude da outra pessoa nos deixe triste, chateada, brava, a gente deve contar até três e tentar manter a imagem daquele ser doce que fez com que a paixão nascesse em tão pouco tempo.
3 – Às vezes é muito melhor falar o que tá na cabeça, do que engolir esse sentimento ruim e fazê-lo amargurar o que temos de bom.
4 – Nas horas mais tensas, quando finalmente a gente começa a por tudo pra fora, tentar dizer o necessário, evitar aquelas colocações que tem um único objetivo: provocar.
5 – Se a gente sente falta de um pedido de desculpa, e ele não vem, pedir para que venha não diminui o seu valor.
6 – Por fim, a maior lição que tiro de tudo isso é que um abraço na hora certa, dissolve, sutilmente, boa parte das pedras que existem numa relação.  SEMI-namorar é aprender.